A Ferrari fez um papelão, domingo, ao subverter os valores sagrados do esporte, em nome de um princípio espúrio, segundo o qual vence uma prova, não o melhor piloto, mas o que mais convier aos interesses comerciais da escuderia. A Ferrari pode dizer que a Fórmula-1 é uma competição por equipe. Nada, no esporte, pode se sobrepor ao triunfo do melhor piloto. A escuderia é dona da máquina, sim, mas não tem o direito de manipular resultados.
O que ocorreu no GP da Áustria foi uma afronta à ética do esporte. E nem se diga que a bronca dos brasileiros foi coisa de patriota, torcendo por um patrício. A platéia austríaca não nasceu no Brasil e, no entanto, tomada de indignação, vaiou a armação da Ferrari.
O episódio merece o repúdio do mundo esportivo. Infelizmente, não dá pra livrar a cara de ninguém. Schumacher e Barrichelo tentaram atenuar o vexame, uma vez no pódio. O que parecia pudor, a mim cheirou a hipocrisia. Pra mim, os dois são coniventes na torpe armação. Se Schumacher não devia ter ultrapassado o verdadeiro vencedor, Rubinho, por sua vez, não devia ter se deixado ultrapassar. A bem da verdade, os dois pilotos cometeram uma grande injúria ao esporte quando assinaram um papel que os obrigava a fazer o papelão que fizeram.
Os dois se portaram como meros manufaturados tecnológicos, pra usar a precisa definição do pensador italiano Domenico De Masi.

O exemplo do Corinthians

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