Finalistas e coisa-e-tal


1) Quem quiser simplificar pode dizer que o time do São Paulo é mais ataque e o do Corinthians, mais defesa. Quem, porém, gosta de aprofundar as questões verá que a equipe de Parreira também ataca e não é pouco. Nem com poucos. A brigada corinthiana nunca avança com menos de sete jogadores: os três fogosos lá da frente – Gil, Deivid, Leandro – e mais Ricardinho, Vampeta, Fabrício, Kleber ou Rogério. Como todo mundo está em forma física exuberante, o time martela a defesa rival o tempo todo. Pelo menos, foi assim que o vi contra o São Caetano. Já contra o São Paulo, prevejo em campo um time menos ousado, mas, nem por isso, menos temível. O contra-ataque do Corinthians pode ser mortal.
2) O que tem o time do Corinthians de sistemático tem o do São Paulo de fulminante. De repente, uma tabelinha refinada põe alguém na cara do gol. Basta juntar, na mesma manobra, Kaká, França, Souza e Reinaldo. E assim o futebol vira uma ciranda.
3) A zoeira dos cartões é uma prova da insensatez da cartolagem. A idéia de considerar a disciplina um dos quesitos pra classificação é mais que louvável. O futebol brasileiro está cada dia mais faltoso. É, disparado, o mais violento na elite mundial. Quando não é pontapé, é atropelamento; se não é o agarrão despudorado, é a simulação de falta, apelações típicas dos ringues de vale-tudo. Mas é um absurdo que tenham decidido zerar a ficha técnica dos times. Resultado: o fator ético, que devia ser o quarto quesito do critério, acabou sendo o decisivo, o que é injusto. A campanha do Palmeiras foi melhor que a do São Paulo, tanto técnica como eticamente. Por que, então, jogar no lixo o que o Palmeiras conquistara, duramente, ao longo do torneio? Se a melhor campanha não merecia contar ponto, o que é uma iniquidade, por que, então, não se fez como a Sul-Minas que classificou o Cruzeiro pelo critério, bem mais esportivo e sempre emocionante, dos pênaltis. Pelo critério dos cartões, os cartolas bem merecem o vermelho da execração pública. E temos conversado.

De Copa em Copa

O mundial está aí. Eu que, há 50 anos, não perco uma Copa, já estou, de novo, com o pé no barco. Em poucos dias, estarei em Seul, com a equipe do Sportv. Antes, farei uma escala na Europa. Quero sentir mais de perto França, Itália, Alemanha, poderosos rivais do futebol brasileiro. Ao mesmo tempo, pra não desmerecer a saudade, relembrarei, na coluna, a partir de hoje, momentos supremos de outros mundiais. De Copa em Copa.
- Roma, Copa de 90.
Franz Beckenbauer, técnico da Alemanha, orienta sua equipe o tempo todo em pé na pista. Não se move. É a estátua dele mesmo. Saudade imperial do Kaiser do futebol. Silhueta de príncipe pelos campos desenhada. Era um estilista. Corria na ponta dos pés para não maltratar a grama dos campos. Hoje, este fidalgo do futebol está aqui, no mundial da Itália, um regente à beira do campo. Merece um pódio. Nunca será demais louvar este supercraque que seduzia a bola, altivo e soberano, como se fosse ele próprio o inventor do futebol.
Armando Nogueira

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