Vinte e cinco dos 32 técnicos do mundial, ouvidos pela revista inglesa ‘‘World Soccer’’, apontam França e Argentina favoritas indiscutíveis ao título de campeã da Copa-2002. A cotação brasileira é a mais baixa dos últimos anos, entre os pesos-pesados. Não figura nem mesmo na voz de Scolari cujo voto é, primeiro, pra França, depois, pra Argentina. O nosso técnico enche a bola da França e da Argentina e prevê que o Brasil estará entre os quatro primeiros. Haverá sinceridade nessa predição? Pra mim, essa retórica tem cheiro de dissimulação.
Dos 25 treinadores, 18 apostam na França e 17, na Argentina. As duas seleções aparecem sempre juntas e alternando-se no primeiro lugar. Apenas quatro técnicos de realce levam fé no Brasil, a saber: Roger Lemerre, da França, Rudy Voller, da Alemanha, Trapattoni, da Itália, Antônio Oliveira, de Portugal. O quinto é Nasser Al-Johar, da Arábia Saudita. Ainda assim, o Brasil não aparece uma única vez, favorito, isoladamente. Vem, sempre, acompanhado de outros tradicionais concorrentes.
Pelo visto, ninguém dá pelota pra avaliação periódica da Fifa que, há séculos, põe a Seleção Brasileira no topo do ranking. Acho que o pré-julgamento dos técnicos do mundial tem muito mais sentido que o delírio da Fifa. O Brasil andou muito mal, nos últimos anos. De repente, porém, os catedráticos podem, perfeitamente, quebrar a cara. Afinal, quem, por aí, é capaz de entrar em campo, na Copa, com uma dose dupla de Ronaldinho?
A REBELIÃO DO MAL
O futebol carioca se rebela. Chega de tentar moralizar o futebol. Basta de perder jogo no campo, de perder na bola. Queremos o tapetão, que é o nosso reino. A velhacaria é o nosso trunfo. Chega de pegar no nosso pé, com fantasmas tipo CPI e Ministério Público. A Liga é transparência? Pois nós somos a escuridão. E é nela que sempre tramamos as nossas jogadas, tenebrosas jogadas. Se nossos clubes estão na miséria, ninguém ousará dizer o mesmo de nós. Estamos todos, pessoalmente, muito bem de vida. É só ver as vistosas gravatas do Edmundo Santos Silva, que, por sinal, de santo não tem nada. Ou os suspensórios de Eurico, símbolos de uma insondável prosperidade pessoal.
Amigos, a verdade verdadeira nessa ridícula encenação é uma só: com medo de um fantasma chamado transparência, Eurico e Edmundo jogaram o seguinte papo pra cima de Fischer, do Flu e de Palmeiro, do Botafogo: ‘‘Ou nós nos unimos, todos os clubes do Brasil, ou a lei que vem por aí vai acabar conosco’’. A intenção era atrair outros clubes pra reforçar a bancada da bola, na Câmara, e derrotar o projeto do governo que obriga o clube a prestar contas ao Fisco, à Previdência, em suma, à sociedade. Pela primeira vez, falcatrua no futebol vai dar cadeia. Depois de cooptar os parceiros cariocas, os dois cabeças do arrastão saíram em campo. Pretendiam implodir a Liga Nacional e o próprio Clube dos Treze, que embarcaram na canoa do Ministério do Esporte e também querem acabar com a banda podre do futebol. Cantaram o Palmeiras, cantaram o Santos, cantaram o São Paulo, cantaram o Corinthians. Quebraram a cara porque ninguém caiu na conversa deles.
Felizmente, nem todo mundo é pente fino no futebol brasileiro.
COPA E COZINHA
- Mais silêncio no futebol. Pelo menos, na Copa, ninguém poderá tocar corneta a título de estímulo aos jogadores.
- Cambistas vão ficar a ver navios. O ingresso só vale se tiver, devidamente impresso, o nome do torcedor. Copa personalizada.
- No Japão, uma rede de voluntários vai ajudar as delegações e os turistas no vai-e-vem do dia-a-dia. Até agora, já há duzentos candidatos a intérprete e guia turístico.

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