Na Grande Área - Armando Nogueira
Felipão fala grosso. Felipão é a primeira e a última palavra. A seleção é dele e ninguém tasca. Nem o Ricardo Teixeira, que já enfiou a viola no saco. Vocês se lembram? Teixeira tinha anunciado que, nessa Copa, queria estar bem mais perto da seleção. De repente, sumiu. Está tão longe quanto qualquer um de nós. Deve ter levado um contravapor, depois daquele almoço, de cardápio indigesto, com o Romário.
Por mais ponderada que seja a palavra vinda de alguém, Felipão faz que não é com ele. Quase sempre, até ironiza quem dá palpite. Nas entrevistas, usa uma retórica de impaciência e desdém. Há quem goste das lideranças impermeáveis. Seria sinal de personalidade. Eu não gosto. Antônio Lopes é um que andou tentando emplacar Romário, com quem trabalhou no Vasco. Caiu no vazio. Gente experiente como Zagallo, como Parreira, os dois já deram um toque, embora jamais tenham sido ouvidos nem cheirados. Parreira acaba de dizer à revista inglesa World Soccer: Não há no mundo um atacante com tamanha capacidade para finalizar como Romário. Felipão, se ficou sabendo, não deu a mínima bola.
Em um mero papo de Copa, um amigo me pergunta se pretendo ir ao mundial. Pretender, eu pretendo, mas, a essa altura da prepotência, não sei se o Felipão me deixaria ir. Vai que o Sportv me escale. Vem o Felipão e me barra. Tô frito. E nem adianta apelar pro Fernando Henrique. Sua Excelência já levou um chega-pra-lá, na questão do Romário. Caiu na besteira de pedir pelo jogador. Levou, de resposta, um sonoro silêncio.
Vá alguém dizer ao homem que ele não é Jesus Cristo.
SUOR E SORTE
Tenho escrito, tenho dito, nas minhas tribunas, que o goleiro é quem mais se aperfeiçoa no futebol brasileiro. Noutros tempos, nem tão distantes, em cada dez goleiros, só dois escapavam; o resto não inspirava a menor confiança. Em tempos mais remotos, o pobre solitário da pequena área era quem mais vivia sob suspeita de suborno. O cara era frangueiro, mesmo.
Foi nos anos 70 que a coisa começou a mudar. Surgia, então, a figura do preparador de goleiro. Geralmente, o preparador já trazia uma experiência. Tinha sido goleiro. Apareceram, então, os primeiros livros, tratando especificamente da formação de goleiro. Juntou-se a teoria à prática. Os fundamentos da posição passaram a ser trabalhados, exaustivamente. Hoje, nenhum jogador malha mais que o goleiro, por mais modesto que seja o time. Termina o treino, todo time vai embora. O goleiro fica, dando duro. Atacante brasileiro tem ojeriza a treino. E no entanto, a dedicação extrema é que transformou o goleiro brasileiro em exemplo de acuidade, de senso de colocação, de eficiência.
Volta e meia, ouve-se alguém dizer que fulano defendeu bem porque estava com sorte. Sorte, uma ova. Aqui, entra muito bem a história que me contou meu querido amigo Antônio José, o Bode, que é vidrado em esporte. É o seguinte: Chi Chi Rodriguez, astro do golfe, vence uma partida, jogando o fino. Um fã o felicita, com o seguinte comentário:
- Hoje, você estava impossível. Não errou uma tacada. Estava, mesmo, com sorte. Chi Chi Rodriguez respondeu, com uma leve ponta de ironia:
- É, comigo acontece uma coisa curiosa: quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
O caso CSA/Vasco é apenas mais um esbulho que comete a cartolagem brasileira. O regulamento é cristalino: escalar jogador em situação irregular implica perda de cinco pontos. O resto é patifaria e da grossa. - Diz o pândego Blatter que a arbitragem da Copa será rigorosa com a violência e a indisciplina. Se o leitor acredita, eu não acredito. Já conheço o blá-blá-blá do cartolão da FIFA. Esse homem não merece um pingo de confiança. É um sacripanta de marca maior.





