FUTEBOL: CÉU E INFERNO


Agora que o São Paulo está perdendo o encanto, já não dá mais pra dizer qual é o melhor time da atual temporada no eixo Rio-São Paulo. Pode-se, contudo, notar que o Corinthians tem cacife pra chegar à final. É o caso, também, do Palmeiras. Nenhum dos dois, porém, tem a magia do futebol até outro dia jogado pelo São Paulo.
Não consigo atinar com os desígnios que, da noite pro dia, levam ao desmantelo uma equipe tão brilhante, tão harmoniosa como a do São Paulo. Discórdias internas? Não creio. Outro dia, mesmo, Kaká me revelava, em entrevista, que o estilo vistoso de sua equipe era reflexo do ambiente saudável entre os jogadores. Desaprender, ninguém desaprendeu. Fadiga, não é o caso. Então, amigos, só me resta admitir, meio aturdido, que o futebol é mesmo um desconcertante passatempo, metade feito de céu, metade feito de inferno.

COMO ERA VERDE...

Passei um longo e bom tempo de minha vida enfeitiçado pelo confronto de cariocas e paulistas. Primeiro, quando o campeonato brasileiro era entre seleções estaduais; depois, já nos anos 50, com Rio-São Paulo de clubes. O páreo era duríssimo. Os críticos definiam assim as duas escolas: o futebol carioca, mais clássico; o paulista, mais vertiginoso. Exprimiam ambos o que talvez fosse a própria alma de cada cidade: o Rio, contemplativo, São Paulo, competitivo. Mas a disputa era, como já disse, lá e cá. Eu, recém-chegado de Xapuri, do alto da minha jovem neutralidade, me deliciava com a descoberta do verdadeiro futebol-arte. Não perdia um jogo. Ah, como era verde, então, o meu vale!
Hoje, a hegemonia paulistana (e paulista) é flagrante. Basta dar uma olhada nas duas extremidades da tabela de colocações: na cabeça, quatro paulistas; na rabeira, quatro cariocas.
Ao fundo de tão melancólico cenário carioca, a figura sinistra e plural de Caixadaguaeuricoedmundo.

A TURMA DA COPA

A lista da seleção brasileira está praticamente fechada. Os ‘‘europeus’’ ontem chamados por Scolari não estão mais em observação. Quem tinha que vir lá de fora já veio. Djalminha, que ficou tanto tempo no sereno, a meu ver, chega pra ficar. Ainda ontem, na coletiva, o treinador citou-o como exemplo de jogador capaz de surpreender o adversário, com uma súbita mudança de jogo graças a um passe de 30 metros. O que Scolari não disse, mas não negará, é que ele tem uma queda por jogador canhoto, o que reforça o cacife de Djalminha. Mas não será como titular.
No plano doméstico, o que ainda não está de todo decidido é o nome do terceiro goleiro. O primeiro, pelo visto, não está mais em questão: é mesmo Marcos, o titular. Dida, Rogério e Julio César disputam as duas vagas. Na entrevista de ontem, Scolari confessou mais duas dúvidas: a primeira, na posição de meia-atacante, e a segunda, na zaga. Se resolver levar quatro zagueiros, em vez de cinco, sobrará mais uma vaga ali, do meio pra frente.
O martelo vai ser batido, mesmo, é no amistoso contra Portugal.

RÁPIDAS E RASTEIRAS

Scolari já rifou, mesmo, o atacante Romário. O técnico foi claro, na entrevista coletiva de ontem: o atacante não vai é por razões de ordem técnica e tática. Foi o que disse e mais não disse. Só tenho um reparo: não há um só fundamento técnico que Romário não domine, impecavelmente: do drible ao passe, do chute ao cabeceio. No aspecto tático, é possível que um jogador estático, plantadão na frente, como vem jogando Romário, no Vasco, venha a ser mais problema que solução. Aí, sim, tem sentido o veto do treinador. - A meu ver, o retorno, quase auspicioso de Ronaldinho, ajudou a queimar o filme de Romário.

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