Ecos da seleção: o amistoso de Fortaleza deixou um grilo na cabeça do técnico Scolari: Ronaldinho Gaúcho. Foi uma noite de gala do jovem atacante. Ele fez tudo de bonito e de eficaz que um craque possa fazer, no papel de tapa-buraco. Ronaldinho foi maestro e solista. Uma graça do futebol brasileiro.
O técnico, certamente, vai ter que repensar o problema. Porque a pedra de toque da equipe está ali, naquela faixa de campo. Agora, a questão passa a ser: quem será barrado por Ronaldinho Gaúcho?
Já Ronaldo, vocês, meus leitores, estão lembrados dos meus receios. Eu achava uma temeridade expô-lo ao esforço de uma partida, ainda que amistosa. Felizmente, a imprudência deu bom resultado. Ronaldo, mesmo fora de forma, deixou patente o seu imenso futebol. Atleticamente, não deu pro gasto, mas mentalmente, foi exemplar. Nos lances em que interveio, demonstrou que não está muito longe, já não digo do esplendor, mas da tremenda habilidade, do tirocínio, da capacidade de surpreender qualquer marcação. Se treinar duro, em dois meses, vai recobrar a forma.
Não deixa de ser curioso que Scolari tenha escalado, no Ceará, uma equipe em que predominam o talento, a finesse, a classe individual. Na mesma noite, só se viu atacante de fino trato. Vejam só: os dois Ronaldos, Edílson, Djalminha, Denílson, Juninho e o artilheiro Luizão que, se não é da mesma dinastia, jamais poderá ser tido como um atropelador de zagueiros. Nem no banco havia um desses varapaus que sempre serviram ao jogo de abafa tão a gosto do nosso treinador.
Menos mal. Teimosia tem cura...
TÉCNICO DE PULSO
Acabo de ler uma entrevista do técnico Alex Fergusson à revista francesa ‘‘L’Equipe Magazine’’. Fergusson dirigiu o Manchester United por 16 anos consecutivos. Agora, quando pretendia ceder o bastão a outro técnico pra ser uma espécie de embaixador itinerante do famoso clube inglês, foi forçado a ficar mais três anos, no comando da equipe.
Fergusson revela que sua tática pra segurar a onda de jogador deslumbrado é redobrar a carga de trabalho de qualquer jogador em surto de vedetismo. Neguinho aparece no clube, cheio de chinfra, cabelos extravagantemente pintados. Muito bem: carga dupla de trabalho pro cara. De manhã, treino de bola. Um frio de regelar os ossos. Almoço, descanso e, de tarde, treino, de novo. Mas, dessa vez, nada de bola. Só ginástica, só malhação esfalfante. Na semana seguinte, o distinto reaparece, já sem banca e com os cabelos sem caracóis, na cor natural. E mansinho, mansinho.
Me lembrei do mulato Marcelinho Paraíba, saxão da caatinga, com sua deslavada cabeleira cor de fogo.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Conheci, esta semana, uma tenista de 13 anos. Chama-se Teliana Pereira. Joga em Curitiba e de lá tem saído até pra torneios na Europa. Acaba de conquistar o Banana Bowl sulamericano, em Ribeirão Preto. Seu treinador, o francês Didier, aposta a vida como Teliana vai ser uma grande atração no ranking da WTA, em pouco tempo. Teliana já disputa torneios com garotas de 18 anos. E só faz bonito. É jogadora de exceção. Ela é minha entrevistada no Programa Armando Nogueira, amanhã, 7h30 da noite, no Sportv.
- Outro dia, um amigo meu assistiu à seguinte cena: no quintal de uma casa, em Angra dos Reis, um homem, acocorado, queimava pilhas de papéis, numa fogueira improvisada. O indigitado se chama Eurico Miranda, um dos cartolas na mira do Ministério Público. Podia ser nota fiscal de supermercado, mas quem sabe, também pudesse ser, um documento comprometedor. Diz a testemunha que, das cinzas, subiu uma fumaçinha cor de laranja...

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