Romário, velho língua solta, tem dito que irá à Copa com a seleção. Louva-se, tudo indica, num almoço, de obscuro cardápio, com Ricardo Teixeira, o manda-chuva a quem Felipão não tem feito outra coisa senão cortejar.
Ricardo Teixeira, dizem, teria prometido a Romário a graça de voltar à seleção. Mal sabe Romário que não se deve confiar na palavra de cartola.
A cartolagem é igual a qualquer político velhaco, em cujo mundo, triste mundo, nem o escrito tem valor, quanto mais a palavra falada. Conheço, a respeito, uma história exemplar do político Agamenon Magalhães. Ele articulava a eleição de governador em Pernambuco, na redemocratização do país, final dos anos 40. Agamenon mandava em Pernambuco e tinha sido ministro no governo ditatorial de Vargas.
Agamenon manda um emissário cantar Osório Borba, que era um jornalista combativo, brilhante, democrata. Um homem de grande espírito público. Escrevia no então conceituado Diário de Notícias, no Rio. O velho cacique queria porque queria que Osório Borba saísse candidato. Borba resistiu muito, muito mesmo, mas, acabou cedendo à pressão política que vinha reforçada do apelo de velhos conterrâneos. Depois de um mês, Agamenon mudaria de idéia. Não queria mais nem ouvir falar em Osório Borba. Tinha outro nome na agulha. O emissário, no maior constrangimento, ponderou com o cacique pernambucano que não teria o que dizer ao candidato. Como encarar o amigo assim tão cruelmente descartado? Agamenon, com a maior desfaçatez, encerra a conversa com a seguinte sentença: ‘‘Se você não sabe o que dizer, então, diga-lhe que eu o traí.’’
Meu caro Romário: foi mais ou menos assim que Ricardo Teixeira fez com o ex-ministro Carlos Melles, do Esporte. Traiu, e nem recado mandou.

UMA, DUAS... TRÊS...

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