Na Grande Área - Armando Nogueira
ROMÁRIO E FELIPÃO
A meu pedido, o IBOPE fez uma pesquisa, em todo o Brasil, pra saber se Romário deve ser convocado pro Mundial 2002. O escore é arrasador: 71 por cento dos brasileiros responderam que sim. O placar é, realmente, consagrador porque se repete em todas as regiões do País: dá 79 por cento no Norte/Centro-Oeste, 73 por cento, no Nordeste, 71 por cento, no Sudeste e 59 por cento, no Sul.
A segunda pergunta do IBOPE é sobre Luiz Felipe Scolari: 32 por cento dizem que não estão nada contentes com o trabalho dele na Seleção; 28 por cento estão um pouco satisfeitos e apenas 15 por cento confessam que estão muito satisfeitos. Contas feitas, Felipão não está agradando, nem no universo masculino (37 por cento insatisfeitos), nem no feminino (26 por cento de insatisfação).
O terceiro quesito da pesquisa focaliza a Seleção. A pergunta é desdobrada em quatro questões: o Brasil tem muita chance, alguma chance, pouca chance ou nenhuma chance de ser campeão? Muita chance: 20 por cento; alguma chance: 26 por cento; pouca chance: 31 por cento; nenhuma chance: 16 por cento. Oito por cento das pessoas consultadas não quiseram dar palpite.
Na pergunta seguinte, diante da relação de oito concorrentes (Brasil, Itália, Argentina, Alemanha, Inglaterra, França, Portugal, Espanha), o Brasil é destacado como favorito pra ser campeão, com 43 por cento das preferências; depois, vem a Argentina, 18 por cento; a França, 10 por cento; a Itália, sete por cento; Alemanha, três por cento; Inglaterra e Portugal, dois por cento; e Espanha, um por cento.
Pergunta final da pesquisa: Na sua opinião, o atual momento ruim da Seleção ocorre, principalmente: 1) pelo baixo rendimento dos jogadores em campo; 2) por culpa dos dirigentes e dos escândalos ligados ao futebol; 3) pelos dois motivos, igualmente. O resultado é o seguinte: 49 por cento consideram que a Seleção está mal por culpa dos cartolas e seus escândalos; 27 por cento julgam ser por culpa do baixo rendimento dos jogadores; 13 por cento atribuem aos dois motivos: corrupção na cúpula administrativa e baixo rendimento dos jogadores em campo. Os restantes, 12 por cento, preferem não opinar.
Pra dar uma idéia da amplitude da consulta, foram ouvidas duas mil pessoas de ambos os sexos e das faixas etárias entre 16 e 50 anos, e mais. O grau de instrução compreende o primário completo, ginásio incompleto e completo, colégio incompleto e completo, superior incompleto, e mais.
Entre todas as categorias, as diferenças de opinião são mínimas. Um bom exemplo é a avaliação do trabalho de Scolari, nas diversas regiões do País. O índice de insatisfação é de 32 por cento no Norte/Centro-Oeste, 30 por cento no Nordeste, 36 por cento no Sudeste e 22 por cento no Sul (aqui, com certeza, pesou o fato de ser o técnico da seleção um gaúcho do chimarrão indispensável e de fartas bombachas na alma).
Resumo da ópera: Romário está muito bem na foto, Scolari aparece um tanto ruço e a cartolagem pra lá de ruço.
A FASE DA PEGADINHA
Alguém já disse, gente ilustre, que o homem procede por fases. Ninguém está livre de entrar na fase de criar galinhas, por exemplo. No momento, minha fixação, que espero passageira, é regra de futebol. Vivo fuçando livros de regras, com suas inumeráveis resoluções e interpretações. Outro dia mesmo, aqui, na coluna, sapequei, perguntando se um jogador pode fazer dois gols consecutivos sem que, entre os dois, o adversário toque na bola. Recebi algumas dezenas de mensagens. Sinal de que o passatempo agrada.
Vamos, então, a mais uma, digamos assim, pegadinha. Seguinte: o França vai cobrar um pênalti. Em vez de chutar direto, França dá um leve toque pro lado, no tempo certo pra Kaká aparecer e completar. Bola na rede. Você, na pele de árbitro, faz o quê? a) manda repetir a cobrança; b) dá tiro indireto contra o Kaká; c) confirma o gol; d) apita tiro de meta.
Um esclarecimento: o toque de França não foi nem pra trás, nem pra frente; foi pro lado. Não vale colar. Pra ser franco, a questão não saiu da minha cabeça. Vem do ex-árbitro e, hoje, comentarista da Globo, Arnaldo Cezar Coelho, a quem pedi ajuda.





