Na Grande Área - Armando Nogueira
GROTESCO DE CUIABÁ
Vem aí um adversário de tradição: Iugoslávia. Será no fim deste mês. Talvez, esse jogo nos permita conhecer, enfim, com mais clareza, as idéias do técnico Scolari sobre o futebol a ser jogado pela seleção. Em matéria de clube, já sabemos tudo: com ele, a ordem é correr, muito marcar, centrar, cabecear. Refinar o jogo, jamais. Era assim no Grêmio. Não foi diferente no Palmeiras, nem no Cruzeiro. O critério de escolha, pelo visto, não mudou.
A Iugoslávia tem um nome na história. Nas copas de que participou, sempre, deixou a marca de sua escola. Pertence ao bloco de futebol romântico jogado pela Tchecoslováquia, a Hungria, a Romênia e, mais remotamente, a Áustria. Enfrentou duas vezes o Brasil. Em 50, no Maracanã, deu uma suadeira na seleção de Zizinho. Perdeu de 2 a 0, jogando uma bola respeitável. Me lembro de seu astro principal, o meia Mitic, um craque, entrando em campo, já com dez minutos jogados. A cabeça enfaixada. Na escada do túnel, ao entrar em campo, Mitic, que era alto, bateu com a testa na viga e levou vinte pontos. Ainda assim, nivelou-se a mestre Ziza, no belo futebol que jogou.
Brasil e Iugoslávia jogariam, de novo, no mundial de 54. Na partida pelas oitavas, empataram, 1 a 1. Na prorrogação, os brasileiros entraram mordendo a grama. Os iugoslavos, por sua vez, queriam acordo. Sabiam que o empate classificaria os dois. Acontece que os brasileiros não sabiam. Ninguém da chefia falou de regulamento com o time. E haja correria. Os gringos, estarrecidos com a volúpia brasileira, faziam gestos. Queriam explicar que o empate era bom pros dois. Pra que se esfalfar à toa? Três dias depois, os dois teriam novas paradas. Resultado, exauridos por uma prorrogação estupidamente disputada, os dois seriam eliminados nas quartas: o Brasil, pela Hungria, a Iugoslávia, pela Alemanha.
Chego ao quarto parágrafo da coluna e ainda não falei do jogo de Cuiabá. Não falei, nem falarei. A voz do bom-gosto não me perdoaria. Pra não dizer que ignorei a comédia, ainda vi alguns minutos. Quando Kleberson foi celebrar seu gol pendurado no pescoço do técnico, ali, decidi desligar a televisão. O espírito humano não suporta tanto despudor. O mínimo que se espera de um comandante, é que ele proíba qualquer jogador de cortejá-lo em público. É uma cena de aterradora hipocrisia que só pode constranger o resto da equipe. Há jogador que não tem cara pra fazer semelhante papel.
Já pensou, caro leitor, o Didi, depois de um gol, deixar o campo em desabalada carreira, pra ir se pendurar na corcunda do Zezé Moreira? Inimaginável.
Tenho todo respeito pelos padeiros e pescadores da poética Islândia, mas a CBF de Ricardo Teixeira não tinha o direito de expor a seleção a uma noite tão grotesca.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
Jardel, do Sporting de Lisboa, fez 28 gols em dezoito partidas, sendo forte candidato à Chuteira de Ouro, troféu oferecido por um grupo de jornais e revistas europeus. - Praticar esporte faz bem à saúde? Depende. Pra doutora Stéphane Cascua, que acaba de lançar um livro sobre o assunto, o grande vilão, hoje, é a obsessão pela performance, que ignora o bem-estar físico e mental do atleta. - Paulo Paixão, preparador físico da Seleção, diz que Romário vai à Copa. Pelo menos, é o que publica a revista espanhola Don Ballon. - Na Coréia, a bola oficial da Copa do Mundo, chamada de Fevernova, tem feito um enorme sucesso. Desde o dia 17 de dezembro, o comércio vendeu nada menos que 50 mil unidades. Não restou uma única pra contar história. - A ausência de Tommy Haas na disputa da Copa Davis de Tênis se deve ao fato da Federação Alemã ter se recusado a pagar seu tratamento anual com uma acupunturista, que sairia por menos de US$ 100 mil. E como a Davis não engorda conta de ninguém, o jovem tenista encontrou uma boa desculpa.





