Na Grande Área - Armando Nogueira
O CALVÁRIO DE GUGA
Guga operou o quadril avariado. Convenhamos que a decisão veio com um atraso. Tudo faz crer que o estado-maior do nosso herói vacilou feio. Há quanto tempo se sabe que Guga arrastava, de quadra em quadra, um tormento mal disfarçado? Nem bem começava a partida, já entrava em cena o fisioterapeuta da ATP, com um frasco de bálsamo pra tentar aliviar uma dor que nem o próprio Guga conseguia localizar, precisamente, mas que, há tempos, já não o deixava jogar direito.
Amigos, estamos falando de uma queixa que já vai pra lá de seis meses. A tal dor no quadril está na origem da fulminante queda de rendimento de Guga. Há precisamente meio ano que ele não sabe o que seja vencer dois jogos seguidos. No torneio do Sauípe, quando perdeu de Saretta (dia 11 de setembro, da explosão das torres do WTC), o rapaz já não podia jogar seu prodigioso tênis. A vida de Guga converte-se num calvário. A lesão não respondia mais à ação dos paliativos. Mas nem por isso, tomou-se providência que se impunha: parar, investigar com rigor a lesão. Era como se Guga não fosse um ser humano sujeito a percalços da vida. Mais que gente. Mais que máquina.
Amigos, estamos falando do então tenista número UM do mundo. Mais que isso: estamos falando de um ídolo do tênis do planeta. Mais que isso: estamos falando do atleta-símbolo de uma nação. Um herói celebrado nos confins de nossa terra.
Em janeiro deste ano, depois de ser eliminado, de saída, no Aberto da Austrália, Guga foi a um traumatologista australiano. O médico revirou pelo avesso o corpo do atleta. Recomendou, sumariamente, uma cirurgia. Passados dois meses, Guga estreava em Buenos Aires, como se estivesse são e salvo. Perdeu de saída, naturalmente. O técnico Larri Passos, na véspera, dizia à imprensa, enfático, que Guga não tinha problema físico nenhum. Chegou a insinuar, em tom sarcástico, que a tal dor não passava de encucação de tenista.
Agora, Guga foi operado. Pelo visto, não pretende pedir à ATP o chamado ranking de proteção. Trata-se de um recurso que assegura ao tenista uma posição decorrente da média das posições dele nos três primeiros meses em que ficou fora do circuito. Contudo, o ranking de proteção afasta, compulsoriamente, o tenista de qualquer torneio por seis meses. Essa hipótese me parece ingrata. Pelo seguinte: parando seis meses, Guga só voltaria a jogar no segundo semestre, justamente, quando principia a temporada de quadras rápidas. E quadra rápida não é o melhor piso pra quem, mestre no saibro, necessita voltar ao ranking no lugar de honra que conquistou com muita arte e muito amor.
É pena, mas Guga parece ter sido tratado como um simples manufaturado tecnológico. A expressão foi criada pelo sociólogo Domenico de Masi pra definir o atleta de alta performance que o mercantilismo transformou em máquina de fazer dinheiro.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
A FIFA decidiu fazer o exame de sangue pra descobrir doping durante a próxima Copa do Mundo. Agora, a FIFA vai além da urina. Aí, não há transgressor que escape. - Não é só no Brasil que os clubes de futebol devem uma fortuna. Na França, também o buraco é gigantesco e só tem feito aumentar. Na temporada 2000-2001, os clubes franceses ficaram devendo a bagatela de US$ 250 milhões. No ano anterior o montante não passava de US$ 150 milhões. O motivo, claro, é o aumento desenfreado dos salários de jogadores. Em tempo: os clubes argentinos devem 400 milhões de dólares. - Hospedar uma seleção de Copa do Mundo virou um bom negócio. No Japão, os prefeitos abriram a burra pra atrair as delegações. Hiroshima quis pagar US$ 4 milhões pro Brasil ficar lá. O México levou US$ 400 mil pra ficar em Kuriyamacho.





