Com que, então, o presidente Fernando Henrique também quer Romário na Seleção? O palpite tem peso político indisfarçável. Como dizia aquele personagem de Graciliano Ramos: governo é governo. Claro que o futebol não negaria a ninguém o direito de opinar sobre a Seleção. FHC dirá, certamente, que está falando apenas como torcedor. Afinal, a Seleção é um bem do povo brasileiro, embora o Felipão pense o contrário. Acha que a Seleção pertence, tão somente, a Ricardo Teixeira que a ele confiou, por delegação.
Ricardo Teixeira não podia esperar chance melhor pra cortejar o presidente, justamente, o homem em cuja mesa adormece, há meses, a Medida Provisória com que a CPI do Senado espera desmontar a máfia brasileira do futebol. Podes crer, agora, Romário talvez esteja mais dentro que fora da Seleção. De uma coisa, porém, ele jamais se livrará: é do senão, o mesmo senão que estigmatizou o folclórico Dadá Maravilha que entraria na história da Seleção de 70 como peixinho do Palácio do Planalto, onde, então, pontificava o general Médici. Pouco importa que a coisa não tenha sido como diz o tempo. A História não tem paciência pra distinguir verdade de rumor. E acaba medrando a versão.
Romário, ora veja, peixinho de FHC.

O DONO DA BOLA

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