Na Grande Área - Armando Nogueira
Ricardo Teixeira auto-nomeou-se manager da seleção. Na certa, espera contagiar os jogadores com a notória pureza de seus fluidos. Se, ao menos, tivesse autoridade e gostasse de futebol, não seria de todo mal. A seleção, nas mãos de um técnico autoritário, como é Scolari, deve ter por perto alguém que lhe segure as rédeas. Infelizmente, Teixeira não tem esse perfil de liderança. Ele pertence a uma estirpe de cartola, padrão Havelange, que de jogador de futebol sempre quis distância.
Pra mim, o único cartola que viveu, de corpo e alma a seleção se chamava Paulo Machado de Carvalho. A ele o Brasil deve muito dos títulos mundiais, na Suécia e no Chile. Era um homem especial. Tinha pulso e tinha tato. Ganhava os jogadores no papo, como no papo, sempre cordial, ganhava também seus pares de delegação.
A comissão técnica era formada de gente dura na queda. Carlos Nascimento era uma espécie de chefe de disciplina em internato. Tinha mau humor de cão de pesadelo. Rosnava só porque Garrincha comprou, na Itália, um chapéu pro pai e, não querendo amassá-lo na mala, andava de chapéu o dia inteiro. Feola, dormindo, era um arcanjo, acordado, uma cambaxirra. Paulo Amaral falava com brandura, mas, de repente, explodia como um rojão sem pavio. A todos, o bom cartola levava no bico.
A entrada de Garrincha, no terceiro jogo de Gotemburgo, contra a União Soviética, foi uma obra de arquitetura política. Primeiro, ele ouviu, na moita, o Didi, o Beline, o Nilton Santos. Era a voz dos cariocas. Os paulistas não conheciam plenamente o futebol de Garrincha. Formado o juízo, ele sentou com a comissão técnica. Disse que, embora fosse chefe da delegação, sabia, perfeitamente, que não tinha nem direito de voto, nem de veto. Queria, porém, repassar ao comando técnico o que ouvira dos jogadores de mais peso. No dia seguinte, Garrincha estava no time, realizando os 10 minutos mais devastadores até então jamais visto num jogo de Copa do mundo.
Paulo Machado de Carvalho, uma tarde, sentou com Didi, Nilton Santos e um terceiro cujo nome me escapa, agora. Aos três, queria dar - e deu - a seguinte satisfação: o Pelé me pediu uma escapadela noturna da concentração pra encontrar uma loura promissora.
- Quero avisar a vocês que eu vou dar uma folga pro Pelé. Ele é um adolescente, tem l7 anos, está na ponta dos cascos. E vai ser uma fugida só. Mas tem uma coisa: a exceção só vale pra ele. Vocês vão guardar segredo. E não venham pedir uma brecha porque eu vou negar.
Os três se sentiram prestigiados com a satisfação dada pelo chefe e não abriram o bico, nem depois da Copa...
O RABO DE BLATTER
Sepp Blatter volta a ameaçar: se o governo brasileiro intervier na CBF, a Fifa tira o Brasil da Copa do Mundo. Típica bazófia de cartola. João Havelange, todos se lembram, ainda presidente da Fifa, jurou expulsar a seleção brasileira da Copa de 98 se a lei Pelé fosse aprovada. A lei vingou, o Brasil foi à Copa, bonitinho.
Agora, é a vez do trêfego Blatter tentar blefar em defesa de Ricardo Teixeira. Ninguém tenha a mínima dúvida: se Ricardo Teixeira for condenado pela Justiça, Blatter não mexerá uma vírgula contra o futebol brasileiro. Até porque é quase certo que a Uefa, a dona do futebol europeu, ficará solidária com qualquer medida moralizadora do poder público do Brasil. Já imaginou todas as seleções européias repudiando a Copa 2002? É bom não esquecer que, no momento, a Uefa está de pé atrás investigando denúncias de roubalheira dentro da Fifa na gestão de Sepp Blatter.
CAIXA DÁGUA DE LUXO
Engenheiro civil não sou, mestre de obras, muito menos, mas sempre soube que toda caixa dágua tem que ter o seu ladrão. O que eu não sabia é que o do Caixa DÁgua - quanto luxo! - tem nome. Chama-se Chico Aguiar.





