A nova seleção faz a festa dos empresários. Os novos convocados entram de vez no mercado internacional sensivelmente valorizados. Alguns, como Kaká, passam a valer ouro em pó. Por sinal, com méritos totais. Kaká é um dos jogadores mais técnicos da novíssima geração. Há muito tempo, não se vê tanta clarividência, tamanha facilidade de lidar com a bola, em qualquer circunstância do jogo. O estilo do garoto é, ao mesmo tempo, vistoso e proveitoso pra equipe. Seleção, porém, só bem mais pra frente.
A nova lista de Scolari é mero jogo político, sem qualquer serventia pra Copa do Mundo. Esquerdinha, Kleberson, Polga, Marques, Washington, pra citar alguns, nenhum deles tem chance além de um ou dois amistosos. Mas é o quanto basta pra engordar as cifras alentadas dos empresários e seus parceiros secretos nas populdas comissões de transferência. A seleção do homem já está pronta e acabada. A maioria dos jogadores já é carta marcada. Se é a melhor, se é da confiança nacional, pouco importa. O Brasil de Felipão é o mesmo das eliminatórias. Queiramos ou não queiramos.
Ronaldo, Rivaldo, Roberto Carlos, Cafu, Emerson, Roque Júnior, Marcos, esses já têm camisa cativa. Tenha ou não tenha jogado bem, uma só vez, nos últimos dois anos, a maioria já está efetivamente escalada. Pra completar o elenco, ai estão, outra vez chamados, o Luizão, o Edílson, O Juan, o Chris, o Juninho. E convenhamos, a essa altura, não há mais nem tempo pra inovar. Scolari teve outros momentos pra formar uma verdadeira seleção. Não soube ou não quis, não teve discernimento, nem teve peito pra mexer nos medalhões. Podia ter ousado, tinha poderes, mas preferiu transferir a responsabilidade pros intocáveis estrangeiros. Tudo sapato de salto alto. Fartos de ostentação como a rainha de Sabá.
Todos sabemos que o futebol tem seus caprichos. De repente, um time que não merece fé estoura e surpreende. É a esperança que nos resta.
O PREÇO DA GLÓRIA
Guga já não está suportando o repuxo, mesmo em começo de temporada. São sequelas de duras temporadas. O biótipo dele é ideal pra tênis: é longilíneo, tem respeitável envergadura, mas sempre lhe faltou massa muscular. Devia ter trabalhado muito alguns conjuntos altamente solicitados pelo tênis, contemporâneo, como os lombares e os quadríceps. O tênis, noutros tempos, era um jogo de aristocratas, de pura técnica. Com o tempo, foi virando esporte de força física. Não basta ter talento. Tem que ser um grande atleta. E será assim, cada vez mais.
Guga, está pagando alto preço pelo massacre do calendário da ATP. O corpo, franzino, começa a ficar minado pela dureza das quadras e pela irracionalidade dos torneios. Agora, aí está o nosso magistral tenista, ameaçado de ficar de molho, mal principia a temporada.

Colaborou Andréa Escobar

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