Na Grande Área - Armando Nogueira
Kléber, na área, é vendaval. Sem ele, o Atlético-PR se enfraquece, justamente, no que melhor seu time sabe fazer que é atacar. É digno de nota o poder de chute desse moço, a essa altura, o segundo maior artilheiro do campeonato, superado, apenas, por quem é insuperável na arte de fazer gols: Romário. Ainda assim, o time paranaense não se desfigura de todo. Há dois jogadores, que eu vou te contar: Adriano e Kleberson, ambos criativos, dinâmicos, onipresentes. Com perdão dos demais, Kleberson e Adriano dão o tom da equipe. São os metrônomos da orquestra.
O nó da questão fica sendo a finalização de jogadas. Geninho, velha raposa de vestiário, deve ter seus trunfos. Além do que, jogando em seu campo, o time do Atlético torna-se quase irresistível graças ao alento ensurdecedor da torcida. A arquitetura do estádio, tipo arena de touros, como que debruça a multidão sobre o campo. E tome adrenalina.
O que tem o time do Atlético de fogoso tem o rival de rigoroso. O São Caetano dança em qualquer compasso. Campo seco, campo encharcado, bola aérea, bola rasteira, topa qualquer negócio. É um time, eu diria, de porte maquiavélico. Deixa-se atacar, aparentemente dominado, e de, repente, sai em contra-golpe, quase sempre mortal. Formado com meia dúzia de jogadores acima de trinta anos, o time de Jair Picerni é a própria voz da experiência. E quem não é assim tão vivido, como Anailson, de apenas 22 anos, joga com uma segurança de veterano. É a prova de que talento não se mede pelo tempo.
A meu ver, as duas equipes são parelhas. Ambas se engrandecem pelo esforço incessante. O São Caetano tem o trunfo do empate (sem prorrogação), o Atlético não apenas um time de onze, mas uma ruidosa multidão. Talvez a sorte do jogo esteja menos nos pés dos jogadores e bem mais na cabeça de dois excelentes treinadores.
VÁ SER PROSA ASSIM...
Roland Garros é o torneio de maior charme no circuito de tênis da ATP. No dia da final, os jornalistas elegem o tenista mais simpático e, naturalmente, o mais antipático. Guga já ganhou a distinção como a figura mais amável, assim como chileno Marcelo Rios já é bicampeão da empáfia. Ganha, sempre, o prêmio Limão de Roland Garros.
O futebol brasileiro bem que podia criar um concurso igual. Seria barbada pra Vanderlei Luxemburgo. Ele conquistaria, um título que já merece há anos: o mais prosa. Ele fala com aquele ar superior de quem não deve nada a ninguém. Se a mim não deve nada, pelo menos, ao fisco ele deve e não é pouco. Engraçado é que Luxemburgo ficou mais prosa ainda depois que a vida lhe deu um bom puxão de orelha. Isto é que me deixa pasmo nesse rapaz. Agora mesmo, ao ser deixado pelo Corinthians, ele sai botando a maior bancada do mundo. Megalô!
Fiquei sabendo, agora, que Luxemburgo se orgulha de ter num guarda-roupas dezenas de ternos, todos de grife italiana. Conta-me uma fonte respeitável que, certa vez, ouviu de Telê a seguinte pergunta sobre a figura de Luxemburgo:
- Me responda uma pergunta - dá pra confiar numa pessoa que tem cem camisas de seda?
NATAL SEM FOME
Há dias, dei uma nota na minha coluna Na Grande Área, em que falava, deslumbrado, do rosto de Paula, cujo perfil de grega beleza, aparece estampado numa camisa que ela doou à campanha Natal Sem Fome. Então, um leitor me escreve, boquiaberto, achando que passei uma cantada pública na moça. Pensei: esse cara está é com ciúmes.
Ora, ora, mal sabe o meu malfadado rival que, há séculos e séculos, venho me desmanchando em elogios ao fabuloso basquete de Paula. Mas como nem só de basquete é feita a vida, confesso que sempre me empolgou, também, o que um beletrista chamaria a pulcritude de Paula. Um dia, chamei Paula de minha 'cesta básica', noutro, escrevi que ''tem dedo de Deus na palma de tua mão''.
Hoje, Paula e eu nos queremos muito. Somos amigos fraternos. E a amizade, como todos sabem, é o amor sem segundas intenções...
RÁPIDAS E RASTEIRAS
Todos estão lembrados do pacto de salvação administrativa e moral do futebol brasileiro. Juntaram-se no mesmo abraço o Ministro Carlos Melles, Pelé, João Havelange e Fábio Koff. Diante do relatório da CPI, dois acabam de retirar o time de campo, certamente, envergonhados da companhia de Teixeira: Pelé e o ministro Melles. Havelange e Fábio Koff, amoita. No caso, o silêncio é aval. Aval que não absolve Teixeira e vai deixar muito mal, moralmente, os dois cartolões. - Todo mundo se pela de medo duma represália da FIFA, caso o governo venha a forçar, politicamente, a renúncia de Teixeira. Duvido que Blatter tenha coragem de peitar o Brasil se vier a ser feita uma gestão diplomática de alto nível junto à própria FIFA, à UEFA e a outras entidades internacionais do futebol. É bom deixar claro que a empáfia de Blatter não pode se sobrepor à vontade soberana da nação brasileira. - A música que ''inspirou'' Lamartine Babo, na criação do hino do América, chama-se ''Row, row, row!'' e foi composta em 1912 por James Mônaco e William Jerome pro musical ''Ziegfield Follies''. Minha fonte, o jovem Fábio Scrivano, pesquisador musical, conta, ainda, que a canção estourou no Brasil, no ano de 1916.
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Colaborou Andréa Escobar
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