Na Grande Área - Armando Nogueira
CARA DE FINALISTA
São Caetano e Atlético-PR jogam, hoje, embalados por dois respeitáveis trunfos: 1) jogam em casa; 2) o empate tem valor de vitória. O time paranaense conta, ainda, com um fator não menos relevante: correu meia hora menos que seu adversário, o Fluminense. Igualmente, o Atlético Mineiro chega a São Caetano mais inteiro que o anfitrião. A prorrogação contra o Bahia deixou em trapos o time de Picerni. Fisicamente, sem dúvida; mentalmente, com absoluta certeza.
Os dois Atléticos foram soberbos, quarta de noite. Em Belo Horizonte, basta ver o placar: 3 a 0. Quem viu, pressentiu o triunfo mineiro, mal começava a partida. O time do Atlético já saiu acuando o time do Grêmio. E, mesmo quando o Grêmio assumiu a posse da bola, ainda no primeiro tempo, o Atlético transpirava confiança, uma confiança que vinha de seu treinador e, principalmente, de sua mais-que-inflamada torcida.
É de esperar que o Grêmio tenha aprendido, no Mineirão, uma preciosa lição que a vida ensinou ao futebol: só triunfa quem arrisca. O Grêmio renunciou ao ataque. Perdeu-se, perdeu.
Em Curitiba, a banda não tocou diferente: o time do Atlético-PR deu as cartas, o tempo todo, embora sofresse mais que seu xará de BH. Eis aí uma equipe capaz de empolgar qualquer platéia. O time do São Paulo é de respeito e por um triz não engrossou o caldo. Talvez que a história da partida fosse outra se os paulistas não tivessem perdido, ainda no primeiro tempo, o jovem Kaká. Fulgurante Kaká, futebol de rara beleza e de tocante inocência no meio de tanta malícia, pra não dizer de tanta impiedade. Ele não suportou a sucessão de faltas, algumas brutais, da defesa paranaense. Agora, Kaká está, em casa, andando de muletas. Uma agressão inominável. Principalmente, do volante Cocito que atacou o adversário pelas costas, estupidamente.
Enfim, pra não cometer uma injustiça com os eventuais derrotados, direi o seguinte: tanto os quatro que passaram adiante quanto os quatro que se foram são equipes muito bem montadas, com um senso de conjunto que só recomenda o comando técnico de cada uma delas.
Os quatro que continuam na batalha, todos eles valem o quanto pesam. Todos têm a mesma cara de finalista, a mesma cara do campeão insinuado.
NO PIO DOS PARDAIS
Saiu a seleção brasileira da banda podre. São 17 suspeitos, a começar por Ricardo Teixeira, Eurico Miranda e Edmundo Santos Silva, Eduardo Viana, o Caixa D'Água, Eduardo Farah, Calçada, ex-presidente do Vasco. O técnico da seleção da banda podre é Wanderley Luxemburgo, sobre quem a CPI do Senado faz pesadas denúncias por sonegação fiscal, tráfico de influência e enriquecimento ilícito. Aliás, essa é a tônica das denúncias contra a maioria dos cartolas. Enriquecimento ilícito é eufemismo da linguagem jurídica. Trocando em miúdos, isso quer dizer que os distintos meteram a mão, mesmo.
Depois de exaustivamente investigados pelo Senado, os cartolas ficam, agora, por conta do Ministério Público. O que acontecerá a todos eles, só quem sabe é a Justiça, que é quem tem poderes pra julgar e condenar. No sentimento da opinião pública, porém, desde já, todos esses cartolas estão pendurados em veementes cartões amarelos.
Grande parte desses suspeitos de irregularidades no futebol já está na mira de todo mundo, não é de hoje. São velhos personagens de fatos, eu diria, marotos.
São os chamados fatos notórios. Aliás, a propósito da expressão, outro dia, o advogado Sergio Bermudes, com seu celebrado brilho verbal, me repetia uma deliciosa imagem da alma popular austríaca que define, assim, fato notório: ''Fato notório é todo fato sobre o qual os pardais conversam nos beirais dos telhados...''
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Os senadores, heróis na goleada da CPI, honraram o mandato e são, agora, credores do respeito popular. O futebol será sempre reconhecido aos membros da CPI, especialmente, a Álvaro Dias e a Geraldo Althoff. A mídia, por sua vez, não esmoreceu, jamais, dando expressiva cobertura ao trabalho da comissão. Um jornalista simboliza a vigilância da mídia nessa árdua batalha pela moralização do futebol brasileiro: Juca Kfouri. Pelo que fez no jornal, no rádio e na tevê, Juca tem uma participação de realce nessa goleada. Fico feliz com a obstinação e com o desassombro desse vibrante colega.
- O ministro Melles, do Esporte e Turismo, deve estar feliz com o desfecho da CPI. Pelo seguinte: quando esteve na Suíça, recentemente, Melles ouviu Blatter lhe dizer, com insolência, que a FIFA não tolera que o governo se meta na CBF. Falou como se o Brasil fosse uma republiqueta e Ricardo Teixeira o próprio Varão de Plutarco. O Ministro não engoliu a ameaça e respondeu, na lata: ''Presidente, é bom que o senhor fique sabendo que os problemas do futebol brasileiro são muito mais graves do que se imagina, à distância.'' Presente à conversa, Ricardo Teixeira não tugiu, nem mugiu...
- Depois de suas estonteantes tabelinhas, a dupla Dias-Althoff passa a bola, agora, ao atacante Geraldo Brindeiro, Procurador-Geral da República.
- A julgar pelo telefonema do Presidente da República, pedindo ao ministro Melles uma Medida Provisória encampando as sugestões reformistas da CPI do Futebol, dá pra imaginar que os três poderes da República estão solidamente unidos na cruzada de salvação do futebol brasileiro.
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Colaborou Andréa Escobar
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