NA CRUZ DOS CAMINHOS



Só mesmo no futebol brasileiro. O time faz das tripas coração, atravessa 27 pedreiras. Chega, heroicamente, à segunda etapa da maratona. Aí, sem tempo sequer de respirar, já tem que jogar a sorte numa única partida. É vida ou morte.
Oito equipes chegam à cruz dos caminhos. As quatro de melhor colocação jogam em casa. É uma vantagem, sem dúvida. Tão respeitável quanto a outra, do empate, que também as contempla. Dois, a meu ver, se beneficiam ainda mais no papel de anfitriões. Jogar na Arena da Baixada, mais que confrontar um time, é enfrentar uma torcida calorosa, solidária como poucas. Um furacão de entusiasmo. No Mineirão, não é diferente. O São Paulo e o Grêmio, por sinal, duas equipes poderosas, já devem saber o que os espera em Curitiba e em Belo Horizonte. Haja coração!
A barra é um pouco mais leve pra Ponte e pro Bahia. Pelo menos, no quesito em questão. O Maracanã, pela imensidão do estádio, passa uma atmosfera de campo neutro. Um certo alívio pra Ponte Preta. Ainda assim, há de ser bem melhor pro Fluminense, que estaria mais a perigo se os papéis estivessem invertidos. Pegar a Ponte, lá em Campinas, seria bem mais indigesto. Que a torcida do Fluminense seja mais tolerante, mais parceira de sua equipe, hoje, à noite, no Maracanã é o que se pede aos impacientes.
Por fim, o Bahia. Bahia, terra da felicidade! Nesse jogo, conta muito a experiência do treinador Evaristo, velho mago pra quem as quatro linhas do campo são tão familiares como as linhas da própria mão. Ainda assim, o favorito é mesmo o anfitrião, que terá pela frente o poderoso time da terra de todos os santos. Mas, ele santo também. São Caetano.

A SELEÇÃO DO SPORTV

A turma do Troca de Passe, do Sportv, programa dominical do qual participo, fez um balanço dos 27 jogos do campeonato brasileiro. Saiu assim a nossa seleção, que contou com o voto de comentaristas e da equipe de produção. É a seguinte: Júlio César (Fla); Arce (Palmeiras), Marinho (Grêmio), Régis (Flu) e Paulo César (Flu); Gilberto Silva (Atlético-MG), Anailson (S.C.) e Esquerdinha (S.C.); França (S.P.), Romário (Vasco) e Marques ( Atlético-MG). O treinador do campeonato é Jair Picerni.
Gostei do voto do comentarista Raul Plasman que, além de escalar sua seleção, prestou uma homenagem à classe sempre tão desconsiderada dos goleiros. Raul formou uma equipe só com goleiros que fizeram a diferença na primeira etapa do campeonato. Nenhum especialista do futebol teve papel tão decisivo quanto o goleiro. O ano ficará sendo de todos eles.
O futebol, como qualquer atividade humana, é sujeito a simplificações. O gol é um exemplo. Até parece que não existe nada mais em um jogo além do gol. O artilheiro que faz um gol feito é exaltado como herói único da partida. A tevê mostra, invariavelmente, a bola no fundo da rede, o goleiro aterrado, vencido e o goleador na corrida triunfal. Ninguém se lembra de celebrar o goleiro que, no lance seguinte, faria uma defesa magistral ou do jogador que, com um passe de mestre, pôs o colega na cara do gol.
Honras aos goleiros que foram, eles todos, os grandes astros da primeira etapa do Campeonato Brasileiro de 2001.

RÁPIDAS E RASTEIRAS

- É agora ou nunca: Montenegro e o presidente Ney Palmeiro querem ver Bebeto de Freitas, tocando o futebol do Botafogo, com plenos poderes. Ao lado de Bebeto, certamente, estará a economista e vibrante botafoguense Elena Landau. Bebeto e Elena farão um estudo da situação finaceira, econômica e administrativa do clube. Em seguida, então, começam a cruzada de salvação do clube. Bebeto de Freitas pode ser a derradeira chance do Botafogo.

- É de estarrecer a monta de patifarias descobertas pela CPI do futebol, no Senado Federal. Se a Justiça não trancafiar essa gente, um dia, um deles vai acabar roubando a bola do jogo, em pleno estádio.

- Romário já disse: técnico bom é o que não atrapalha. O australiano John Fitzgerald fez tantas trapalhadas que acabou deixando a França levar a Taça Davis. O homem escalou a dupla errada, ficou sem Rafter na simples decisiva e a Austrália, favorita, acabou derrotada.

- Seis jogadores, uns caras novas, outros, nem tanto, me encheram os olhos, na primeira fase do campeonato brasileiro: acima de todos, o são-paulino Kaká, talento e elegância; depois dele, Anaílson, do São Caetano; o eficientíssimo Preto, do Bahia; e a promissora dinastia dos Léos: o lateral santista, o atacante peso-pluma do Guarani e o vascaíno Léo Lima, todos três, jogando um futebol do mais fino trato.

- Pelé disse, na Coréia, que temia pelo fim do futebol bonito. Em cima da bucha, Scolari, com sua tresloucada língua, pergunta a Pelé o que vem a ser futebol bonito. Pelé perdeu a chance de responder que futebol bonito é justamente o oposto do que jogou a seleção de Scolari nas eliminatórias sul-americanas.

- Um leitor pergunta se li nota de alguém, saída em algum jornal, dizendo que eu não entendo nada de futebol. Confesso que não li. Tendo chegado à chamada idade dos patriarcas, já não tenho tempo a perder com abobrinhas. Prefiro ler Píndaro.
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Colaborou Andréa Escobar

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