Na Grande Área - Armando Nogueira
1) O ministro Melles conta que propôs a Blatter uma saída honrosa pra Ricardo Teixeira. O cartolão trocaria a CBF por uma sinecura na própria FIFA. Se a raposa suíça topar, estará passando um baita recibo de que a FIFA é, de fato, a toca-mãe da velhacaria, da improbidade no futebol mundial. De qualquer modo, tratando-se de quem se trata, antes tê-lo por lá que por cá...
2) Eurico Miranda tem aparecido, em público, fumando charuto. O novo hábito só lhe acentua a prepotência, a empáfia congênita. Quero distância de fumo, mas nada tenho contra quem curte um charuto. Se, na arte de escrever, o estilo é o homem, em matéria de charuto, o dito é também a própria pessoa. O charuto de Churchill me sugeria liderança, o de Hitchcock, o próprio suspense, já o de Greta Garbo, por sua vez, despertava feminilidade, fantasias sexuais.
Há, ainda, outra leitura plausível, no caso de Eurico: ele procura insinuar prosperidade. Me lembro que, no auge da borracha amazônica, os seringalistas - era o que corria, na época - acendiam pomposos charutos com cédulas de 500 mil reis. Era uma forma de ostentação, típica do novo-rico. Ninguém duvida que Eurico Miranda esteja nadando em dinheiro. Como ninguém duvida que a mina de ouro que fez dele um homem rico fica no bairro de São Januário, no Rio de Janeiro.
3) O presidente do Botafogo, Ney Palmeiro, fez uma sugestão, ao mesmo tempo, cômica e patética, à nova Liga Rio-São Paulo: que o troféu do campeão se chamasse Eduardo Viana. Bem, se era pra achincalhar, melhor teria sido que a taça se chamasse, logo, Caixa D'Água. Aliás, dizem que a grotesca figura teria declinado, por uma questão de princípio. Disse que tais rapapés só devem ser feitos a alguém que já morreu. Mal sabe que acaba de morrer, senão, biologicamente, com certeza, politicamente, pois a liga vem sepultar seu feudo, a federação. Vivo ou morto, Caixa D'Água só merece esquecimento.
Se, ao contrário, a intenção do cartola botafoguense era homenagear alguém que só destroçou o futebol carioca, então, a taça do lanterna bem que podia levar o nome do atual presidente do Botafogo.
GÊMEOS NO INFORTÚNIO
Flamengo e Botafogo fingem que não é com eles, mas os dois estão a um passo do inferno do rebaixamento. Se, de fato, cairão, é outra conversa. A ética não tem sido o padrão da cartolagem brasileira, raro exemplo de impostura no futebol mundial. Os irmãos gêmeos no infortúnio saem da última rodada seriamente ameaçados. Igualam-se em todos os quesitos: 20 pontos ganhos, o mesmo número de vitórias (5), de empates (5), de derrotas (9), saldo de gols (-8) e só se desgrudam um do outro em gols pró: o Botafogo tem 25, Flamengo, 20. Curioso nessa irmandade carioca é que, no cartão de visitas, o time rubro-negro dá de banho no alvinegro. Petkovic, Edílson, Vampeta, Juan e Júlio César constituem uma base técnica das mais respeitáveis pra qualquer time em qualquer campeonato. Já o time do Botafogo, esse tem sido o modelo perfeito da indigência técnica.
Só mesmo os insondáveis sortilégios do futebol podem explicar que duas equipes tão díspares estejam assim, a descer, juntinhas, o plano inclinado do infortúnio que desemboca no inferno do rebaixamento.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Ronaldinho Gaúcho está encantando os franceses, principalmente, os que torcem pelo PSG. Conta Paulo Cesar Vasconcellos, recém-chegado de Paris, que o atacante ex-Grêmio tem feito maravilhas, em campo. Sem deixar de jogar com objetividade, Ronaldinho desfila seu repertório de floreios, com direito até a especial na tv francesa.
- A rodada que passou não foi das mais risonhas em matéria de gol: a média ficou em 2,2 por partida. Medíocre, embora houvesse alguns jogos de boa qualidade tais como Bahia-Vitória, Atlético-PR-Coritiba, Atlético Mineiro-Flamengo.
- Pela primeira vez em 24 anos, o Masters feminino não será no Madison Square Garden de Nova York. Até 2005, as dezesseis maiores estrelas do tênis vão brilhar no Olympia Halle de Munique, na Alemanha. Ausência certa é a de Mônica Seles. A tenista prometeu que nunca mais porá os pés na terra onde foi apunhalada por um fanático.
- Paula, a mágica do basquete, pergunta se acho justo que se formem equipes femininas de futebol, elegendo a beleza como requisito essencial. É o que estaria fazendo a Federação Paulista. Se for verdade, o campeonato das moças vai ser um fracasso total. Em futebol, beleza só não dá pé.
- A atual diretoria do Botafogo não sabe o que é linha do horizonte. Vive no beco da obscuridade mais alarmante.
- Uma mega empresa de consultoria e marketing esportivo, com peso no mercado americano, daqui a pouco, estará aparecendo por aqui. É a Champions World LLC, comandada por Jorge Wolodarsky. Foi a CW que fechou recentemente a parceria milionária entre o Manchester United e o time de basquete New York Yankees.
- Eduardo Farah, presidente da FPF, não passou na prova da CPI do Senado. Foi evasivo, aqui e ali. Deixou nos senadores uma impressão deplorável. No momento em que assume a presidência da Liga Rio-São Paulo, Farah devia ter sido mais transparente perante a CPI. Saiu devendo explicações, prometidas pras próximas 48 horas. Ou ele limpa, de todo sua barra, ou vai acabar vizinho de Ricardo Teixeira, na Rua da Amargura, s/n.
- O presidente interino da CBF, Alfredo Nunes, falou à imprensa. Pura enrolação. Devia ter ficado recolhido à sua desimportância.
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Colaborou Andréa Escobar
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