Não estão nada boas as relações entre clubes e CBF. Um dia, a corda vai arrebentar, de vez. Os clubes se queixam de que, por conta da seleção, ficam privados de seus jogadores, justamente quando mais necessitam deles. O campeonato brasileiro começa a pegar fogo e, positivamente, não é nada bom pra um time como o Flamengo tentar sair do buraco negro sem contar com a ajuda, fundamental, de Edílson, Vampeta e Juan, jogadores de peso da atual elite brasileira.
Por sua vez, a CBF sabe que o mar não está pra peixe. Perdeu jogos que não podia perder e, a essa altura, não tem como abrir mão da chamada força máxima. A seleção precisa vencer a Bolívia, e depois, a Venezuela. Noutros tempos, noutras circunstâncias, uma e outra seriam duas galinhas mortas. Hoje, com a seleção a perigo, não há como transigir com os clubes.
De uma coisa ninguém duvide: mais adiante, os clubes estarão falando cada vez mais grosso. E não será uma briga só brasileira. O mundo inteiro, começando pela Europa, vai tentar virar essa mesa. Ou a FIFA repensa o calendário de seleções ou acabará fechando as portas. No mínimo, vem por aí um racha no alto comando do futebol mundial. Aliás, com medo de uma rebordosa é que Sepp Blatter já criou a Copa do Mundo de Clubes, um jeitinho de aplacar o descontentamento dos europeus. Ainda, assim, os grandes 14 clubes da Europa estão fechados na idéia de peitar, primeiro, a UEFA e, depois, a própria FIFA. Não suportam mais uma relação que os põe a reboque da seleção, cuja conta quem paga, invariavelmente, é o clube.
A bem da verdade, o que é a seleção de um país, senão um time de luxo que fatura milhões de dólares (vejam o caso da CBF e seu contrato milionário com a Nike e com a Ambev), usando justamente astros mantidos a peso de ouro pelos clubes? A CBF, pra citar o exemplo doméstico, não repassa a qualquer clube um tostão do caminhão de dólares que embolsa dos patrocinadores.
E pior, ainda: o dinheiro que entra na CBF nós sabemos que se esfuma nas ações entre amigos. Sem prestar contas a ninguém, tal qual na velha aritmética dos bordeis.
É claro que essa farra não vai acabar bem. Seleção, tal como existe hoje, pode estar com os dias contados.
JORDAN NO DIVÃ...
Haja especulações a respeito da volta de Michael Jordan. Uns dizem que o motivo é dinheiro. Os negócios do craque não andariam muito bem. Outros falam de satisfação pessoal. No 'New York Times', Bruce Ogilvie, um dos papas da psicologia esportiva americana, levanta a seguinte hipótese: ''Para um atleta, aposentar-se implica perda de identidade e, por isso, muitos não conseguem tomar ou sustentar essa decisão. É como se fora do esporte, não houvesse nada que valesse a pena ser vivido. O alimento emocional não pode ser encontrado em outra atividade. Não sei se isso se aplica ao Jordan, uma vez que foi ele que escolheu parar, mas nada impede que esteja se sentindo assim.'' Já pra Joel Fish, diretor do Centro de Psicologia Esportiva, na Filadelfia, Jordan não está se sentindo sem identidade, perdido. ''É uma questão de desafio pessoal, o último desafio'', conclui Fish.
RÁPIDAS E RASTEIRAS - I
- Definitivamente, o futebol é o túmulo dos profetas e dos catedráticos. Primeiro, elegemos o Palmeiras o time do campeonato. Depois, descobrimos o Atlético Mineiro. Houve um momento em que o sol raiou em Vila Belmiro. Ai, sorrimos com o Fluminense (antes, parecia o São Paulo). Agora, chegou a vez do São Caetano. Profetas, catedráticos, silenciais!
- Os jogadores do campeonato brasileiro que melhor desarmam o ataque do adversário sem fazer falta, na opinião dos comentaristas do Sportv são: Gilberto Silva, do Atlético Mineiro, e Juan, do Flamengo, pro Júnior; Gilberto Silva, do Atlético Mineiro, e Mineiro, da Ponte Preta, pro Daniel de Paula; Gilberto Silva, do Atlético Mineiro, e Hélcio, do Paraná, pro Raul Plasman; Gilberto Silva, do Atlético Mineiro, e Marcão, do Fluminense, pro Gonçalves. Gilberto Silva, meu entrevistado de segunda-feira, no Sportv, é apontado como uma das revelações do campeonato.
RÁPIDAS E RASTEIRAS - II
- O Atlético Paranaense é dono do passe de 15 jogadores que, nessa temporada, estão emprestados a outros times. Um deles é Reginaldo, atualmente no São Paulo, um dos maiores ídolos paranaenses da década de 90.
- A França, que já sentiu na carne o flagelo do terrorismo, pretende chegar ao mundial 2002, com sua seleção cercada de segurança. A idéia é levar um guarda-costa pra cada jogador. Por sua vez, os jogadores franceses já estão se sentindo asfixiados.
- Se a França está nessa paranóia, imaginem, amigos, os Estados Unidos que também jogarão o Mundial?
- O maestro Francis Hime, vascaíno romântico, relembra, com infinita saudade, o melhor time que viu jogar na vida: Barbosa; Augusto e Wilson; Eli, Danilo e Jorge; Friaça, Maneca, Ademir, Ipojucan e Chico. Até os não-vascainos, vibravam com o show de futebol que dava o Expresso da Vitória. Quem não viu saiba que passou pelo futebol carioca e não viveu...
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Colaborou Andréa Escobar
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