Na Grande Área - Armando Nogueira
Quem acabou salvando a pátria foi Denílson. Justamente, o jogador mais representativo do futebol-arte que há na seleção, embora seja ele apenas e tão somente um suplente. Foi o estilo gingado de Denílson, assaz negado por Felipão, que deu graça a mais um jogo sem graça da seleção. Além de Denílson, foi outro ilson que subverteu o futebol engessado da equipe brasileira, o faiscante Edilson. Agora, com todas as chances de classificação, ao Brasil restam a Bolívia, morro acima, e a Venezuela, aqui, em casa. O que não chega a ser dor-de-cabeça. Sobretudo, se Felipão decidir conceder meio tempinho que seja ao suplente Denílson, o salvador da pele do próprio treinador.
Não é uma tremenda ironia do futebol? Ninguém, na seleção, encarna melhor o estilo brasileiro do que o atacante Denílson. Foi nos floreios de jogadores como esse fogoso ponta esquerda que os teóricos foram buscar a expressão futebol-arte. A bem da verdade, a definição nem coisa nossa é. Foi o francês Gabriel Hanot o primeiro cronista a batizar de futebol-arte o vistoso padrão de jogo da seleção campeã mundial de 58, na Suécia. Hanot chegou a vir ao Brasil, depois da Copa, só pra conhecer melhor os encantos de Garrincha, de Pelé e de Didi que o tinham maravilhado nos campos da Suécia-58.
Todo mundo viu o estádio paranaense em peso vaiar a seleção, findo o primeiro tempo. Era o repúdio geral ao estilo bate-estaca, ao futebol de apostila que fascina certos técnicos, que antolha o jogador e que tanto aborrece o público.
No momento em que o técnico se rendeu ao negado futebol-arte, na pessoa de Denílson, a seleção deixou de ser a vasta chatice que vinha sendo e que costuma ser sempre que é submetida à mesquinhez das pranchetas.
Dedico a Felipão, com afeto, uma ginga, um drible e uma finta de Denílson, em nome do futebol-arte que não é outra coisa senão um jeito bem brasileiro de jogar bola e que vem de longe, obra de pés inenarráveis, orgulho de todos nós.
Memoráveis tempos em que, na supina prosa do Felipão, se amarrava cachorro com linguiça.
COM E SEM BARREIRA
O meia Ramon, do Atlético Mineiro, é um requintado chutador de bola parada, com efeito. Na última partida contra o Cruzeiro, acertou mais uma na mosca. Confissão que me fez ele, em recente entrevista: se o goleiro dispensar barreira, ele se desconcerta e prefere passar a missão a outro que bata forte. Essa lição Didi sabia de cor. Um dia, já estrela no Botafogo, numa falta à entrada da área do Fluminense, seu ex-time, o craque fez sinal pra Quarentinha, avisando que o goleiro Castilho, por conhecer a ''folha seca'', não ia querer barreira. Dito e feito: Castilho manda abrir. Didi faz que chuta, esquiva-se, vem Quarentinha e dispara a canhota. Castilho sequer viu onde e como a bola entrou. ''Foi o único gol que me meteu medo, em toda a minha vida'', diria Castilho, depois do jogo.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Na coluna passada, dei um alerta sobre a torre metálica, um espigão, erguida, por mãos temerárias, na reta final da cabeceira 32, do aeródromo de Saquarema. No dia seguinte, o prefeito Antonio Peres teve a cortesia de me telefonar, com uma palavra tranquilizadora: a torre vai sair dali, custe o que custar. A Prefeitura já tinha se antecipado ao meu apelo. Precisamente, dia 7 de agosto, a obra foi embargada, conforme processo 8283/01. Mãos à obra!
- O cavaleiro Rodrigo Pessoa e seu parceiro Baloubet du Rouet estão doidos pra começar a temporada 'indoor' na Europa. A primeira prova será dia 19, em Helsinque, na Finlândia. É nos picadeiros cobertos que o cavalo olímpico adora fazer a festa. Baloubet du Rouet, a montaria preferida de Rodrigo Pessoa, é o que se pode chamar um parceiro de luxo no recesso das cocheiras: seu sêmen rende, anualmente, US$ 900 mil a seu dono, o português Diogo Coutinho.
- De volta da Copa América com a taça de campeão no bornal, o técnico Bernardinho considera excepcional a performance de três jogadores da seleção brasileira de vôlei: Gustavo, no saque; Sérgio, na defesa; Nalbert, no passe.
- O tênis feminino tem dado um banho no tênis masculino, pelo menos, em popularidade. Cinco tenistas mulheres aparecem na lista das 100 maiores celebridades da revista americana 'Forbes': Anna Kournikova (54ª ), Venus Williams (57ª ), Martina Hingis (65ª ), Serena Williams (71ª ) e Lindsay Davenport (72ª ). Entre os homens, Goran Ivanisevic ocupa o 125º lugar.
- Os carros de Fórmula 1 da Williams já tiveram estampado na carroceria o nome Bin Laden. A história remonta a 1979, quando Frank Williams, metido numa crise financeira, recorreu ao grupo industrial saudita, dirigido, então, pelo pai de Osama Bin Laden. O patrocínio rendeu três Grandes Prêmios e um título mundial de melhor construtor. Até 1984, a Williams recebeu alguns milhões de dólares da família árabe.
- O número de mulheres praticando esportes nas universidades americanas deu um salto nos últimos anos. No futebol, a participação feminina aumentou 120% entre 1990 e 1996. Em 1980, somente 10% dos maratonistas que chegavam a uma final eram mulheres, hoje elas já são 30% a cruzar a linha de chegada.
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Colaborou Andréa Escobar
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