Na Grande Área - Armando Nogueira
Tenho tido muitos desencantos. Entre os maiores, contando vida, amores, amizades, esporte, está, com certeza, a Seleção. Vê-la jogar foi um dos prazeres de minha vida inteira. Nos últimos anos, porém, o que era arrebatamento virou uma grande chateação. Hoje, amigos, é dia de chateação. Juro que cansei de imposturas tipo ''somos uma família'', ''o Chile é tão bom quanto o Brasil'', ''o futebol está nivelado no mundo todo''.
O treinador, quando chega à Seleção, perde o mínimo de equilíbrio que demonstrava no clube. Mete os pés pelas mãos. Inventa marmotas inimagináveis. Olha que não sou sistemático. Não gosto de pegar no pé de ninguém. O Felipão, porém, tem ido além, muito além, em matéria de extravagância. Luxemburgo e Leão pintaram o sete com a Seleção, mas, tirando uma ou outra bobagem, ninguém encosta no atual treinador.
Nunca vi desfaçatez maior nos atos de convocar e de escalar. O Cris, o Tinga, o Roque Junior, este com a braçadeira de capitão, me levaram à loucura. Sem falar das injustiças, clamorosas injustiças, contra os dois Juninhos e contra os goleiros em geral, preteridos por um Dida que é sempre chamado, embora todo mundo saiba, a começar do próprio Dida, que a inatividade prolongada tem cheiro de fracasso. O que têm jogado bem os nossos goleiros, Rogério Ceni em primeiro lugar, não podia ser ignorado pelo treinador. Mas, é.
E não adianta esbravejar. Felipão tem dito, pra todo mundo escutar, que só há uma pessoa a quem deve satisfação de seus atos: Ricardo Teixeira. Ora, o presidente da CBF não está nem aí. Seleção, pra ele, é um objeto de negócios, nada mais. Coitado do povão. O que era um símbolo, o que já foi a encarnação do sentimento popular de uma nação, o que já foi um jeito de amar a pátria é, hoje, nas mãos do cartola, uma grossa mamata e nas mãos do treinador, um mero capricho.
Por isso, eu vos disse e repito: hoje é dia de chateação.
ACIDENTE, NA CERTA!
Quem, como eu, gosta de voar pela região dos Grandes Lagos, certamente, subscreverá este apelo que faço ao prefeito Antônio Peres, de Saquarema: por favor, mande desmontar a torre metálica que alguém, sem pensar, construiu junto à pista da cidade, por sinal, um dos aeródromos mais bonitos do Brasil. É um lindo gramado, verdíssimo. A torre interfere, perigosamente, na operação de pouso e decolagem da cabeceira 32.
Prefeito, mande, de pressa, tirar dali aquele espigão. Aquilo é acidente, na certa; aquilo é morte certa.
COM OS DIAS CONTADOS...
Comentário de um velho cartola, dos poucos bem-intencionados do futebol brasileiro: ''Os dias do Ricardo Teixeira estão contados: ele não chega à Copa de 2002 como presidente da CBF. Politicamente, ele já morreu e não sabe''. O mesmo profeta prediz vida breve também pra Sepp Blatter na presidência da FIFA: ''Hoje, quem manda no futebol mundial é a União Européia de Futebol, que não pretende dar novo mandato a Blatter''.
Minha fonte explica que a cotação de Blatter foi a zero com a falência da ISL, o braço marqueteiro da FIFA. A UEFA tem 52 votos na FIFA. Se fechar uma aliança com a África e seus 51 votos, coisa muito provável, as duas juntas farão o próximo presidente da FIFA.
UM OLHAR CÂNDIDO
O vôlei feminino, que andava esvaziado pelas andanças da seleção, voltou a luzir nas quadras domésticas. A equipe em alta, no Brasil, parece ser o Rexona, da atacante Raquel. A doce morena tem um serviço potente, um ataque devastador e um senso de tempo e espaço em certas bolas muito bem colocadas, na justa medida e quase sempre impressentidas de todos. Raquel, no close da tevê, observa o jogo, com o olhar oculto da espreita. Ninguém desconfia que aquela expressão cândida nos olhos de Raquel esconde um bote mortal.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Maradona vai se despedir mais uma vez dos gramados. Na festa do dia 10 de novembro, na Bombonera, um time de figuras legendárias entrará em campo: Beckenbauer, Cruyff, Zico, Bobby Charlton, Rummenigge, Di Stefano, Platini e Pelé, pelo visto, seu ex-desafeto.
- Um bom livro na praça: ''A invenção do país do futebol'', de três professores do grupo de pesquisas chamado Esporte e Cultura, do CNPq. São eles Ronaldo Helal, Antonio Jorge Soares e Hugo Lovisolo.
- Nada justifica a exclusão do São Caetano da Liga Rio-São Paulo, em vias de criação. A título de consolação, o regulamento da liga prevê que qualquer clube paulista rebaixado no brasileirão será substituído pelo São Caetano no Rio-São Paulo. Ainda assim, é injusto o que a política faz com o simpático Azulão.
- Vênus Williams, campeã em Flushing Meadows, continua falante e sem papas na língua. Chamada de arrogante pela imprensa, a tenista dá o troco: ''Só porque quando vocês, jornalistas, me fazem uma pergunta imbecil e eu me recuso a responder e fico em silêncio, vocês acham que eu sou arrogante???''
- Mike Tyson, a fera dos ringues, confessou que quando calha de ver suas entrevistas na tevê fica sem jeito, com vergonha das besteiras que diz. Ai está Tyson: direto com suas cruzadas...





