Na Grande Área - Armando Nogueira
Outro dia, o técnico Oswaldo de Oliveira ficou chateado porque a torcida do Fluminense o chamou de burro. Chegou a pensar em ir embora do clube. Por tão pouco? - pensei eu. Se o futebol, em si, não deve ser levado muito a sério, que dirá o torcedor - cuja sina parece ser o desatino. Ali, no aceso da paixão, o torcedor perde a cabeça por tudo e por nada. Tenho, sobre o torcedor, uma definição que o tempo só tem reforçado. Trata-se de um ser que torce e distorce a verdade, até morrer, doa a quem doer. Azar de quem, técnico, árbitro ou jogador, ainda esquenta a cabeça com bronca de torcida.
Juca Kfouri tem um amigo, santista inveterado. No dia em que soube que Marcelinho tinha assinado com seu clube, o moço declarava, colérico, que, daquele dia em diante, pra ele, o Santos deixava de existir, tamanho o horror que ele nutria pelo craque. Quinze dias depois, o mesmo cidadão telefonava pro amigo Juca, jurando amor eterno ao Santos e dando graças a Marcelinho pelo show de futebol do ex-desafeto em cima do Bahia. Imaginem, amigos, se o Juca tem registrado em cartório os impropérios que ouvira do dito torcedor contra o Santos e, principalmente, contra Marcelinho.
Gosto de contar a história do 'seu' Eurico, um conceituado engenheiro carioca, que torcia pelo Botafogo. Ele tinha uma mórbida implicância com o atacante Paulo Valentim. Chegou a pedir a João Saldanha, de quem era amigo íntimo, que não escalasse ''aquele bonde'', domingo. Era a finalíssima que indicaria o campeão carioca de 57. Na manhã do jogo, ao ver no jornal a escalação do ''bonde'', 'seu' Eurico se mandou pro sitio, em Petrópolis, decidido a não tomar conhecimento do jogo. Nem pelo rádio. Lá da serra, 'seu' Eurico chegou a telefonar a um amigo, justificando a ausência no Maracanã, com uma frase patética: ''Pra mim, o Botafogo morreu!''.
Apesar de ''morto'' no coração de 'seu' Eurico, o Botafogo ganhou o jogo, numa goleada histórica de 6 a 2. O herói da tarde foi Paulo Valentim, ''o bonde'', autor de cinco dos seis gols. No dia seguinte, o artilheiro me aparece na primeira página, dando a volta olímpica, no Maracanã, montado no cangote de um tresloucado torcedor. Que não era outro senão ele, 'seu' Eurico, o próprio, que descera de Petrópolis, a mil por hora, depois do quarto gol de seu, já então, idolatrado herói.
NOVA CASA, NOVO AMOR
Meu professor de vida e saudoso amigo Otto Lara Resende gostava de dizer que toda mudança é fecunda. Nada melhor que um novo emprego, uma casa nova, um novo amor. Ele me deu a valiosa lição quando ambos deixamos a Revista Manchete. Logo, arranjamos um novo trabalho e fomos muito bem sucedidos.
A sábia teoria se aplica, na medida, ao jogador Marcelinho, que trocou o Corinthians pelo Santos, pondo fim a uma briga feia com seu ex-clube. E é impressionante o bem que fez ao craque a mudança de ares. Marcelinho está jogando como há tempos não se via. O time do Santos, graças a ele, desabrochou. Robert, até então, um solitário armador, agora tem com quem dividir a nobre missão de criar as chances de gol que Viola saberá aproveitar como poucos. Sem falar no astral que contagiou os demais jogadores santistas.
Marcelinho transformou em vinho um time que vinha sendo água sobre água. Nada como uma nova casa, um novo amor...
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Élber, do Bayern de Munique, ironizou a cobrança dos dirigentes em cima dos jogadores que perdem pênalti: ''Eu adoraria ver presidente de clube cobrando pênalti.''
- Saiu na coluna Radar, de Lauro Jardim, de Veja: O instituto Vox Populi fez uma pesquisa pra CBF que mostra o sumiço do torcedor de futebol dos estádios: de cada 100 brasileiros, sete preferem ver os jogos de seus times pela televisão. Pra 56 por cento dos entrevistados, ir a estádio, nem pensar.
- Mais de 600 mil espectadores assistiram às partidas de tênis do Us Open. Pra vocês terem uma idéia do sucesso, os jogos da final da NBA não atraem mais de 150 mil torcedores.
- No domingo, dois goleiros foram expulsos de campo graças a uma das mais lúcidas resoluções da FIFA, aquela que prevê cartão vermelho pra quem, última instância, recorre a qualquer meio ilícito contra o autor de um gol iminente. Os dois expulsos foram Kléber, do Botafogo-RJ, que cortou a bola com a mão, fora da área, e Pitarelli, do Santos que, na condição de último homem, aterrou um atacante na bica de fazer um gol.
- Amoroso, atacante do Borussia Dortmund, pôs a carapuça e disse que pretende desafiar o presidente do clube no gramado. O cartola Uli Hoeness criticara as recentes contratações do clube: ''O Dortmund está correndo o risco de se destruir no mercado financeiro por causa de jogadores, cujo valor não aparece em campo.'' O clube comprou Amoroso por vinte e quatro milhões de dólares.
- A jogadora Karina anda à procura de patrocínio individual, mas até agora nada. A idéia é que tendo um patrocínio por trás fica mais fácil conseguir um clube pra jogar.
- Vênus e Serena Williams vivem grudadas mesmo fora das quadras. Dividem a mesma casa em Palm Beach, na Flórida, e, às vezes, o mesmo quarto de hotel nos torneios; sentam-se lado a lado na escola e, acabam de fazer juntas um curso de moda em Fort Lauderdale.
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Colaborou Andréa Escobar
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