O TESTEMUNHO DA TEVÊ
A temporada de futebol tem nos alegrado com jogadas bonitas, muito bonitas. Infelizmente, há o outro lado da moeda - o lado sombrio. A última rodada do campeonato foi marcada por lances de assustadora violência. São cenas tão chocantes que só de mostrá-las já causam constrangimento.
Onde estarão as autoridades esportivas que não reagem, severamente, contra tanta selvageria? E não nos venham falar em falta grave porque, na verdade, gestos brutais não podem ser capitulados como infrações de jogo. São agressões físicas que ultrapassam os limites do código esportivo e se enquadram no código penal. Lances que envergonham o olhar humano dos estádios. Lances que não merecem replay.
No Congresso, há uma banda boa e saudável que quer passar a limpo o futebol brasileiro. O modelo de administração de clubes e federações está, esperamos, com os dias contados. Quem sabe virá por aí uma lei capaz de moralizar a CBF, a arbitragem, e essa coisa viciada que são os tribunais esportivos.
Pontapés como os de Bell, de França, de Edilson, semana passada, não devem ser julgados pela ótica tímida da comissão de arbitragem. No mundial de 94, a FIFA decidiu, em boa hora, que a imagem da tv tem legitimidade como prova nos casos de agressão. Foi assim que o italiano Tassotti pegou suspensão de sete jogos internacionais por ter dado uma cotovelada, à traição, no rosto do espanhol Luis Henrique.
Um tribunal decente, vendo as cenas de agressão do Campeonato Brasileiro, sapecaria cinco, seis partidas - e não uma, apenas - nos autores de atos da vandalismo que a tevê testemunhou, domingo passado.
ZIZA, NOS 80 ANOS
Numa conversa de evocações, proponho a Zizinho alguns nomes de jogadores de seu tempo: Domingos da Guia: ''Nunca houve um beque tão perfeito em todo o mundo.'' Canhoteiro: ''Fazia do lado esquerdo o mesmo que Garrincha fazia do lado direito do campo''. Danilo Alvim: ''Era um príncipe.'' Ademir Menezes: ''O artilheiro mais temível que conheci. Era velocíssimo, fazia gol na corrida, chutando de esquerda ou de direita, com extrema facilidade''. Geninho, meia-direita do Botafogo, no fim dos anos 40: ''O nome dele era Efigênio, mas eu cortava as três primeiras letras do nome dele e só o chamava Gênio...'' Djalma Santos: ''Esse era o compadre de todos nós, na seleção. Uma santa criatura. Pra chegar à linha de fundo, o ponta esquerda tinha que passar por ele, três vezes. Tinha uma recuperação milagrosa.'' Nilton Santos: ''Sempre foi uma verdadeira enciclopédia.'' Obdúlio Varela: ''Um grande médio-volante, um grande líder e um grande amigo de toda a minha vida''.
MENINA DE RUA...
Ganhei uma bola de meia, presente de um velho amigo. A pele é profunda e sem rugas. O coração é de papel, mas pulsa. Em repouso, na estante, lembra a lua, cheia de trapinhos. Ou a representação geométrica da vida, posta em sossego. Rolando pelo soalho simboliza o tempo desatado, infinito. A bola, em movimento, encerra o milagre da eternidade. Quicando na calçada, à luz do sol, é menina de rua, que reluz. Contemplo-a e sinto nela o mesmo ardor que fazia feliz a minha infância, hoje tão distante. O que mais invejo na bola de meia é que ela nunca deixou de ser criança.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Se alguém pensa que o presidente da FIFA, Sepp Blatter, vai entregar o cartola Ricardo Teixeira à própria sorte, certamente, ignora que o dito Blatter é candidato à reeleição e que o também supradito Teixeira é um voto com alguns filhotes no curral eleitoral sulamericano. Farinhas do mesmo saco.
- As irmãs Williams fazem escola, com sua exuberância muscular: Martina Hingis já começou a malhar pra aumentar bíceps, tríceps, deltóides e Jennifer Capriatti está ficando deformada de tanto fazer musculação. Tênis feminino: adeus, finesse, adeus, feminilidade.
- Eurico Miranda foge da CPI do Senado como o diabo foge da cruz. Esconde-se nos desvãos da imunidade parlamentar, um dos mais ignóbeis privilégios da vida pública brasileira.
- O ministro Meles, do Esporte, maneiro, mineiro, vai comendo a cartolagem pelas bordas. Vem aí a medida que pode acabar com a grossa patifaria da cartolagem. Bola pra frente, ministro.
- A ESPN internacional fez uma pesquisa entre jovens internautas americanos pra saber quais os três maiores jogadores de futebol-americano, em todos os tempos. Deu três nomes: Walter Payton, Joe Montana e Pelé. Eu, hein?
- Lleyton Hewit, campeão do US Open, é fã inveterado do ator americano Sylvester Stallone. ''Rocky'', a saga do boxeador interpretado por Stallone, serve de inspiração para o australiano antes de começar um torneio importante. Hewit já assistiu mais de cem vezes aos filmes.
- Numa reunião, com a secretária de esportes do município, Nádia Campeão, e o secretário de esportes do estado, Marcos Arbaitman, ambos de São Paulo, o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, descartou totalmente a candidatura de São Paulo aos Jogos Panamericanos de 2008. Nuzman defende ardentemente o Rio como sede do evento, onde poderia dar mais palpites.
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Colaborou Andréa Escobar
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