Na Grande Área - Armando Nogueira
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de setembro de 2001
Armando Nogueira 
1) Roger, um estilista, dar ainda mais realce à exibição do Fluminense, sábado, contra o tinhoso time da Ponte Preta, um time que se enfraquece, ofensivamente, sempre que não conta com o atacante Washington, um artilheiro de fé;
2) O gol de Pedrinho, no jogo do Palmeiras com o Sport Recife: o meia chuta, na corrida, a cerca de 30 metros das traves. Sai uma verdadeira granada de pé, dessas que não dão ao goleiro tempo nem de rezar. Por sinal que, na 11 rodada, houve outros chutes igualmente feitos de longe e igualmente indefensáveis, para os quais existe uma clara explicação: a bola, lançada neste campeonato, é mais leve. Chutada à distância, não só ganha crescente aceleração como serpenteia pelo ar, deixando o goleiro sem pai, nem mãe;
3) Um passe de calcanhar de Marcelinho, uma linda chispa, tramando com Robert, um contra-ataque do Santos. O canhoto Robert, esfuziante, e o destro Marcelinho, sempre mágico, começam a dar ao time do Santos uma certa nobreza de estilo que já foi uma legenda de Vila Belmiro;
4) O drible que o goiano Araújo aprontou em cima de um corintiano, no jogo do Serra Dourada: com o marcador grudado às costas, Araújo dá um toque de efeito, a bola trisca a sombra dos dois, e vai reencontrar o dito Araújo, um metro adiante, íntegra, límpida, ambos contentes;
5) A jogada que o atacante Leandro arquitetou, sozinho, em velocidade, preparando o segundo gol do Grêmio, feito por Rodrigo Mendes. Diga-se, por justiça, que a estréia de Leandro, no time gaúcho, não poderia ter sido mais feliz. O técnico Tite, boa figura, deve estar rindo à-toa: quem sabe, estará em Leandro o sonhado sucessor do paraibano Marcelinho?;
6) A reação do jovem time do Corinthians, indo buscar uma vitória, quando parecia derrotado pelo Goiás, sempre indigesto, principalmente, jogando em seu próprio terreiro. O time de Corinthians ainda está longe do nível técnico que sua tradição exige, mas não deixa de ser um alento ter vencido nas circunstâncias em que venceu. Valeu pela garra, pelo destemor.
Em compensação, não gostei nada de ver:
1) O pisão malévolo de Edílson, enterrando as travas de sua chuteira na panturrilha de um jogador do Juventude, no lance por ele tratado como inimigo, quando ali estava, apenas, um colega de profissão, que defendia uma camisa esportiva tão respeitável quanto à dele, Edílson;
2) As duas tesouras homicidas que o zagueiro Bell, do Botafogo paulista, desferiu no atacante Rodrigo, do Botafogo carioca. Pra levar cartão vermelho já bastava a primeira agressão, mas o árbitro Getúlio Barbosa deve ter achado que trogloditas tipo Bell têm direito a dar pelo menos uma bordoada, sem custo. Principalmente, se as canelas alvejadas não forem as dele, Getúlio;
3) O árbitro Márcio Rezende repelir, colérico, o toque que lhe foi dar, de boa fé e discretamente, o árbitro reserva, quando o viu aplicar cartão amarelo a Marcos Basílio, do Bahia, que já tinha tomado o primeiro amarelo. O erro de Rezende, no campo do Vasco, sem deixar de ser criticável, tem lá sua dimensão humana; o que parece inaceitável é ele não ter tido a humildade de pedir desculpas ao companheiro, ali, mesmo, diante do mesmo público que o vira ser tão agressivo com quem só pretendia ajudá-lo.
O GRINGO MARRENTO
A barracão do gringo Pet, do Flamengo, está dividindo opiniões, dentro e fora do clube. Há críticos do peso de Gerson que não aprovam a decisão de Zagallo. Craque tem que jogar, dizem. Há, contudo, os que acham que o renome não basta pra escalar alguém, nem no futebol, nem noutro esporte qualquer. Entre dois fogos, Petkovic desfila a sua proverbial antipatia. Há dias, um repórter o abordou, à saída do treino:
- Pet, será que você pode dar uma palavrinha?
Resposta, na lata:
- Posso sim, mas não quero.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Aguarda-se, ainda esta semana, que o juiz federal acate os pedidos de quebra do sigilo bancário de Ricardo Teixeira e de seus acólitos na CBF. O processo, com base no relatório da CPI CBF/NIKE, está na 6 Vara Federal do Rio.
- Como a Confederação Brasileira de Basquete programou o Campeonato Nacional só para 2002, nenhum clube anda querendo investir no esporte nesse ano.
- Por falar em basquete, Marcelinho, que é hoje do Fluminense, foi sondado pelo Houston Rockets, dos Estados Unidos, e pelo Kinder Bolonha, da Itália. Por ora, ele prefere ficar no Brasil.
- Não é o Ronaldinho que está dando show de bola no Paris Saint Germain. Apesar de ter sido apresentado como a grande estrela do clube francês, quem tem arrancado aplausos da torcida é Aloísio, ex-atacante do Goiás.
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Colaborou Andréa Escobar
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