Na Grande Área - Armando Nogueira
GOL ENTRE AS PERNAS
Ora, ora, que novidade: os cartolas estão solidários com o cartolão. Saíram todos de seus covis pra um encontro de desagravo, no Rio. Naturalmente que todos vieram enrolados no manto da integridade moral. Falaram em nome da corriola nada menos que o ínclito Caixa Dagua e o Onaireves, as flores mais perfumadas da falcatrua no futebol brasileiro. Defendem eles o que, mesmo? Certamente, a perpetuação da vigarice, a intocabilidade das capitanias hereditárias em que a falta de escrúpulos transformou as federações estaduais.
Duvido que o ministro Carlos Meles, do Esporte, já não tenha percebido que um dos alvos da cartolagem é precisamente ele, com sua lúcida idéia de reduzir, no calendário, a duração dos campeonatos estaduais.
A reunião do Rio é a primeira de uma série de atitudes pra extrair de Ricardo Teixeira um ato de traição ao ministro. Agora, o presidente da CBF fica entre dois fogos: de um lado, o novo calendário, solenemente aprovado no célebre encontro com o ministro Meles e com Pelé e, do outro lado, a cupincharia das federações estaduais. Pra que lado irá Ricardo Teixeira? Acerta quem disser que o homem penderá pra banda podre. É a força irresistível do tropismo.
Pode ser que eu esteja redondamente enganado, mas desconfio que o ministro vai tomar um golaço entre as pernas.
COTOVELADA HISTÓRICA
A memória humana é uma atroz armadilha. Veja só, caro leitor. Alguém me perguntou o nome do uruguaio que levou uma cotovelada de Pelé, no jogo Brasil, 3 x Uruguai, 1, no mundial de 70. Mergulhei nas águas remotas de 31 anos. Revi o lance, mas não consegui recobrar o nome do moço. Telefonei a vários colegas. Cheguei a falar com Carlos Alberto, o ''capitão'' de 70, que me pediu um tempo. Depois de remexer revistas da época, me cantaria um nome: Mujica. Desconfiei de minha ilustre fonte. Fui em frente. Liguei pra meio mundo. Um citava Montero Castillo, outro, Cortez. Por fim, bati à porta sempre confiável de meu bom companheiro Roberto Assaf. Assaf é uma enciclopédia. Embarquei na dele, fixando-me no nome do careca Matosas. Ouvi, ainda, de outras duas fontes o mesmo nome: Matosas. Eis que, no dia em que saiu a coluna, começou a pingar e-mails, contestando a informação. O homem que levou a cotovelada se chamava mesmo Fontes. Um leitor uruguaio deu até pormenores, dizendo que, minutos antes do lance, o tal do Fontes tinha dado um pisão maldoso na perna de Pelé, daí ter ele achado que a cotovelada fôra pura forra.
Fontes à parte, Carlos Alberto Torres me confessaria que a cotovelada foi desferida com tal engenho que ele, ''capita'', nem percebeu. Mas, Tostão viu. Viu e me confessa que chegou a olhar pro juiz, receoso de que o homem fosse expulsar Pelé. O árbitro, por sua vez, ou comeu mosca, ou, então, fez que não viu. Vai ver, sua senhoria conhecia o célebre episódio do juiz que, um dia, na Colômbia, caiu na besteira de expulsar Pelé e acabou, ele próprio, expulso do jogo pela multidão inconformada.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Robert Scheidt dá uma explicação essencial pra se poder avaliar, devidamente, a importância de uma conquista na classe Laser, da qual é pentacampeão mundial: o barco, as velas e tudo mais a bordo é fornecido pela organização da regata pra todos os competidores. O velejador só entra com a cara e a coragem. Todo mundo navega com armas rigorosamente iguais. Foi assim que Scheidt se impôs a uma flotilha de 161 barcos, recentemente, nas águas geladas do Mar do Norte. Eis ai um campeão de vento em pôpa.
- Alguém tem dúvida de que o horário do jogo Brasil x Argentina, em Buenos Aires, é represália da CBF à denúncia das patifarias de Ricardo Teixeira feita pela Rede Globo? Até agora, os argentinos faziam seus jogos eliminatórios ou às 9 ou às 9:30 da noite, nunca às oito, como vai ser dia 5 de setembro. Pra quem está por fora dos bastidores, o presidente da Associação Argentina de Futebol (AFA), Julio Grandona, é um conhecido finório, devoto fervoroso da improbidade no futebol sulamericano. Grondona e Teixeira são farinha do mesmo saco.
- Uma verdade que salta aos olhos: ninguém, até agora, tem sido melhor que ninguém, no campeonato brasileiro. O perde-ganha que se alastra por todos os campos nos obriga a ser comedidos nas predições. Fora os fiascos do Guarani, do Botafogo RP e o surpreendente baque do Cruzeiro, os demais, pelo menos, por enquanto, brincam de gangorra, enquanto ''seu'' lobo não vem...
- A briga do passe de Alex pode acabar na CPI do Senado. O dossiê da transação Parmalat-Parma já está nas mãos do senador Álvaro Dias. A primeira impressão do presidente da CPI não deixa bem a Parmalat. Pra variar, o negócio percorreu os escusos caminhos da conhecida operação Uruguai. A intenção, como sempre, foi passar pra trás o Fisco brasileiro. Anotem os dois nomes que podem acabar tendo que prestar contas à CPI do futebol: Carlos Monteiro, diretor-financeiro da Parmalat, e Marcos Bagatella, o homem de ligação da marota jogada.
- Wanderley Luxemburgo inaugurou uma casa em São Paulo que está dando panos pra manga. Frequentador assíduo de um bar perto do Palmeiras, Luxemburgo propusera ao dono, seu amigo, tornar-se sócio e reformar o imóvel. Comprou, então, as duas casas vizinhas e mandou ver na obra de ampliação. Como garantia, assinou uma promissória no valor de R$ 500 mil, comprometendo-se a respeitar a estrutura das instalações. Acontece que Luxemburgo não só mexeu em tudo como ainda mudou o número da casa e a razão social do bar. O sócio ficou uma fera e já entrou na justiça. É mais uma encrenca na vida tão encrencada do treinador.
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Colaborou Andréa Escobar
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