Na Grande Área - Armando Nogueira
PINGOS DO BRASILEIRÃO
A) Pé contra pé: o time do Vasco fez nove gols em seis rodadas, todos em chutes de pé direito; o Santa Cruz, ao contrário, marcou sete, todos de pé esquerdo. Sábado passado, os dois jogaram entre si e empataram em um a um, o gol do Vasco, feito de pé direito, o do Santa Cruz, de pé esquerdo. Futebol de total coerência; b) O time do Palmeiras passou pela sexta rodada como líder em artilharia: 13 gols; c) O time menos vazado é o Goiás que perdeu a virgindade, em casa, domingo, tomando um golzinho do Inter; d) A torcida do Coritiba, querendo cobrir de opróbrio o técnico Ivo Worthman, despejou sobre o treinador uma chuva de moedas, acusando-o de mercenário por ter deixado o Coritiba pelo Cruzeiro, a troco de dinheiro. Uma perguntinha no ar: a propósito, o dinheiro, recolhido aos montes pelo gramado, pra onde foi o pobre dinheirinho da torcida? e) O gol mais técnico da sexta rodada foi feito pelo atacante Edmilson, do Coritiba, contra o Cruzeiro: na corrida, entrando pela direita da grande área, o moço despacha um chute, com a face interna do pé, enfiando a bola entre o goleiro André e a trave. De repente, me veio à mente um dos golpes mais perfeitos de Guga: a paralela de direita, triscando a linha lateral da quadra. É aí que o pé comete astúcias de mão, pra citar o verso de João Cabral de Melo Neto; f) A bola de QI mais alto, entre os jogos de domingo passado, foi a do time do São Paulo, que rolou, o tempo todo, com lucidez e precisão técnica, mesmo que jogasse quase a partida inteira com menos um em campo. Belletti, com prisão de ventre mental, deu um tapa absurdo no rosto de um adversário. Num futebol de gente séria, Belletti seria, no mínimo, multado por seu clube; g) O time do Cruzeiro continua no purgatório, a caminho do inferno, levado pelos pés até aqui estéreis de Edmundo e Rincón, dois craques, sem dúvida, mas que, a essa altura do campeonato, só querem sombra e água fresca.
NOVO ENDEREÇO
Ricardo Teixeira tem novo endereço: trocou a rua da Alfândega pela rua da Amargura s/n. A saraivada de denúncias do 'Globo Repórter' é de envergonhar qualquer velhaco, por mais velhaco que seja. Que fique bem claro: a fonte principal do libelo são as duas CPIs do Congresso. Maior legitimidade é impossível. Não adianta a curriola da CBF querer livrar a cara do chefão, dizendo que é tudo intriga da oposição. Na verdade, tudo na reportagem são fatos e fatos irrefutáveis o resto é cinismo, que todos estimamos será de prazo curto. Diante de denúncias de tal gravidade, não é possível que a consciência ética do futebol brasileiro continue a tolerar tanta patifaria à sombra da seleção.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- O Corinthians não anda contratando ninguém e tem torcedor de cara amarrada. Só pra vocês terem uma idéia da fortuna que andam pedindo por aí, Juninho Paulista valeria dois milhões de dólares e Dida, US$ 1,5 milhão.
- O jogador Rodrigo, do Botafogo foi sondado por times espanhóis. O La CoruÀa, O Bétis de Sevilha e o Atlético de Madri já andaram conversando com o pai do jogador, dono de 70 porcento do passe. Em tempo, Rodrigo é meu entrevistado da semana no Programa Armando Nogueira (Sportv).
- Se alguém me perguntar quem, pra meu gosto, chuta com mais precisão e pontaria uma falta de barreira, respondo sem hesitar: Ramon Menezes, do Atlético Mineiro. Sempre que o vejo, ele está acertando um chute na mosca.
- A seleção feminina de vôlei começa a renascer, fruto do competente e esmerado trabalho de Marco Aurélio, um técnico da mesma lavra de Bernardinho.
- A Veja desta semana publica uma pesquisa, mostrando que, no Brasil, a porcentagem de praticantes de tênis fica na ninharia de 0,3. Quer dizer, menos de uma pessoa em cada 100 habitantes. É isso que me espanta e que não me canso de perguntar: como é que pode um país que não tem tênis ter o melhor tenista do planeta? Paradoxos do esporte.
- Pergunta de um leitor: como se chama o uruguaio em quem Pelé deu uma cívica cotovelada, no jogo Brasil-Uruguai, no mundial de 70, no México. Como não sou bom de memória, fui a uma fonte sempre segura, meu colega Roberto Assaf, do JB que me canta a bola, de primeira: Roberto Matozas. O lance foi registrado pela câmera indiscreta do Canal 100.
- Por falar em agressão, a cusparada de Chilavert, que a TV Bandeirantes mostrou, é uma das cenas mais ignóbeis jamais vista num campo de futebol. Não ocorreu no fragor da batalha, de cabeça quente. Ocorreu depois do jogo, a sangue frio. Não há atenuante pra semelhante conduta. No mundial de 94, a FIFA sapecou sete jogos no italiano Tassoti, que quebrou o rosto do espanhol Luis Henrique com uma cotovelada, sem bola. Quantos jogos deve levar alguém que cospe cruelmente no rosto de um semelhante, na presença de milhares de pessoas?
- O professor Ivan Proença, com quem joguei peladas, anos e anos, prefacia o livro ''Futebol, dos alicerces ao telhado'', do técnico Paulo Emílio sobre futebol. Ivan condena a onda globalizante que afeta, tristemente, o nosso futebol. Estou contigo, meu bom Ivan, contra ''a esperta e enganadora modernidade que só vem inibindo o futebol tipicamente brasileiro.''
- A CPI do futebol do Senado levantou coisas cabeludas contra Eurico Miranda e Soares Calçada. Quem viver verá os descaminhos pelos quais passou, durante anos, o suado dinheirinho do glorioso Vasco da Gama.
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Colaborou Andréa Escobar
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