Na Grande Área - Armando Nogueira
UM AMIGO NAS ALTURAS
O piloto Gerard Moss é o Amyr Klink dos ares. Não sabe fazer outra coisa na vida a não ser sobrevoar o planeta. Antes, já dera a volta ao mundo, num monomotor, o Sertanejo. No momento, vive a mesma aventura, agora, pilotando um Ximango, a fina flor dos planadores brasileiros; o dele, um modelo construído especialmente pra aventura que o está levando por ares nunca dantes navegados. Gerard, meu bom amigo, me manda um e-mail, escrito em pleno sobrevôo de Khabarovsk, na Sibéria. Vai na íntegra a fraternal mensagem desse admirável andarilho das nuvens:
''Desde que decolei do Rio, tenho sobrevoado paisagens indizíveis. O verde sem fim da Amazônia, onde testemunhei os estragos feitos pelos garimpeiros; os tepuis da Venezuela, onde se esconde o Salto Angel, a maior queda d'água do mundo; os desertos do Arizona e do Utah e o imperdível Grand Canyon. Planei sobre os vulcões da Guatemala, pegando térmicas que me mandaram pra cinco mil metros, em minutos. A visão de tanta neve me deslumbrava. Que maravilha é planar, em silêncio, pelas montanhas nevadas da Cadeia da Costa, no Canadá. Fiquei deslumbrado. Frio na barriga, mesmo, foi encarar a travessia do gelado Mar de Bering. Graças a deus, saiu tudo certo. Fim de setembro, estarei de novo no Brasil. Desde já, te convido pra sobrevoar comigo essa outra pérola da natureza, que é o Rio de Janeiro.''
Crismado da mais santa inveja, desejo o melhor dos ventos a meu amigo Gerard, cuja vida tem sido andar por aí, a inventar céus.
A MÁGOA DO ÍBIS
Depois de ver quanto é ruim a seleção do Panamá, a gente entende perfeitamente a mágoa do Íbis. O Ibis é, com muita honra, o pior time do mundo. Tem 62 anos de vida, sem jamais ter ganho um título, sem jamais ter ganho um jogo, ostentando a invejável média de um gol por ano. Por que, então, a seleção do Felipão prefere jogar com o Panamá quando podia perfeitamente prestigiar uma equipe co-irmã? Se a questão era futucar a auto-estima da seleção, nada mais recomendável do que recorrer ao brasileríssimo Íbis que não tem feito outra coisa na vida a não ser dar lições de amor próprio no esporte. Ninguém jamais soube dar tanto valor a uma derrota quanto o Íbis. A derrota é a sua glória.
Felipão ficou satisfeito porque a seleção deu uma sova no Panamá, embora todo mundo tenha visto o tamanho do drama vivido pelos brasileiros. Um calvário! Qual o resultado prático dos cinco a zero de Curitiba? Cinco vezes zero. A seleção continua a mesma geléia real, o Panamá voltou a ser no futebol o que já foi na política internacional, ou seja, sinônimo de escândalo. O Íbis, por sua vez, sofre uma cruel humilhação o que é mais doloroso é humilhado dentro de casa, rejeitado em seu próprio país. Haja ingratidão! Afinal, depois de tantos fracassos da seleção, o Íbis já se sentia, com muito orgulho, a equipe modelo do atual futebol brasileiro.
O Íbis gosta de ser passado pra trás, mas tem que ser no campo, jogando. Foi assim que ele construiu a sua história de gloriosas derrotas.
NAS ÁGUAS DA REPESCAGEM
Quarta passada, publiquei o estudo de Oswald de Souza, demonstrando que o Brasil está garantido no mundial Coréia-Japão. Hoje, instado pela mesma inquietação nacional, valho-me de outra autoridade na matéria. É Lauro Araújo, um homem tão familiar à ciência dos números quanto sempre foi meu amigo Cony à arte das palavras. Eis o que nos diz o Lauro: a Argentina está com 100 por cento de chances; o Paraguai, com 97.1; o Equador, com 89.9; o Brasil, com 51.4; o Uruguai, com 44.4 e a Colômbia, com 17.2 por cento; Bolívia, Peru, Chile e Venezuela, todos esses já estão tão longe do mundial de 2002 quanto a Tonga da Mironga.
O Uruguai pega a Venezuela, depois de amanhã. O Brasil encara o Paraguai no dia seguinte. Se os dois se derem bem, quem ditará a posição na tabela é o saldo de gols. Nesse quesito, o Brasil está bem mais à vontade, com saldo de dez gols contra seis do Uruguai. A barra começa a pesar é se o Uruguai vence lá e o Brasil perde cá. Essa hipótese funesta rebaixa o Brasil a quinto colocado, com a Austrália, de novo nos seus calcanhares.
Quem supôs, um dia? O Brasil nas águas perplexas da repescagem!
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Leio que o cavalo Baloubet refugou, mais uma vez, deixando o nosso Rodrigo Pessoa pendurado na brocha, tal qual nos Jogos Olímpicos. Diz a sabedoria popular dos ingleses que todo cachorro tem direito a uma mordida. Aceitemos, pois, que todo cavalo tenha direito a uma boa refugada. Três, convenhamos, é demais. Assim, Baloubet deixa de ser um cavalo pra ser uma besta completa.
- O bebê de André Agassi e Steffi Graf nem veio ao mundo e já tem cachê de estrela. Se for uma menina, o empresário John Korff está disposto a oferecer aos pais 10 milhões de dólares pra tê-la como participante de um clássico torneio em 2017.
- Gente adulta, homens e mulheres, que faz exercícios físicos, regularmente, está menos sujeita a sofrer do Mal de Alzheimer do que qualquer sedentário. Mexa-se, meu amigo!
- Já imaginou, amigo leitor, perder dez mil calorias por dia? Impossível? Não. Os ciclistas do Tour de France, um das mais exaustivas provas da categoria no mundo, queimam essa barbaridade em cada etapa da corrida.
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Colaborou Andréa Escobar
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