Na Grande Área - Armando Nogueira
Gente, parece obsessão minha, mas eu juro a vocês que não é, não. Estou, piamente, convencido de que a crise da seleção não é apenas técnica, é sobretudo, moral. E vem de cima. Vem de longe. O futebol do Brasil já vive, há anos, sitiado de mazelas éticas e morais. As duas CPIs do Congresso não surgiram assim, sem mais, nem menos. Foram uma imposição da dignidade esportiva do Brasil afrontada pela pouca vergonha que assolou os gabinetes da cartolagem e que contagiou os vestiários, a boca do túnel, o banco de reservas e, por fim, a seleção nacional.
Quando o Murtoza bigodeia a comissão disciplinar da Copa América e senta, indevidamente, no banco de reservas, o cinismo da cartolagem como que se delicia com a treta. Ora, ora, não sejamos tão pudicos. Deixa pra lá! O chefe da delegação bem que podia e devia ter mandado que o funcionário saísse dali, em nome da ordem e da compostura. Omitiu-se. Talvez sentisse que o subalterno não lhe teria dado a menor bola. E preferiu deixar pra lá!
Certa vez, a seleção aqui chegou, o avião atopetado de bagulhos. Era a bagagem dos campeões do mundo de 94. O vôo triunfal do contrabando trazia bombas mais bombas de chope pra choperia hi-tech do Ricardo Teixeira. Deu em todos os jornais. Deu até processo. Foi um constrangimento? Ora, ora, é melhor deixar pra lá. Vocês não estão lembrados da patifaria da arbitragem, cevada nos bastidores da CBF? Denúncias comprovadas, um escândalo sem tamanho. Sobrou, quando muito, um puxão de orelhas e um chega-pra-lá num certo Ives Mendes, que, na história, era um simples preposto. Os cartolões poderiam estar na cadeia, mas qual o quê, estão por aí, impávidos, chefiando seleções, enchendo a própria burra de dinheiro sujo. A complacência cínica da nação esportiva preferiu deixar pra lá.
A CBF vendeu por trinta dinheiros a soberania da seleção. E daí? Deixa pra lá. Como deixamos pra lá a patifaria dos passaportes falsos, sobre a qual não se ouviu, até hoje, um pio da CBF. Sem falar do custeio espúrio dos votos que reelegem o presidente da CBF, os presidentes das federações, os presidentes de clubes, a maioria esmagadora deles comprometida com a falência fraudulenta do nosso futebol.
A palavra de (des) ordem é: deixa pra lá! O Cris estupra a bola, com chute vil pra arquibancada, e a indulgência nacional aceita, conformada: deixa pra lá! O Emerson, não podendo dar mais do que tem, dispara um carrinho por trás, dentro da área, com apenas oito minutos de jogo, derruba um paraguaio de segundo time e a consciência nacional, em criminosa omissão, limita-se a dizer: deixa pra lá!
O povão está sofrendo com os tormentos de sua amada seleção? Ora, ora, deixa pra lá que o povão já está acostumado a tantas dores morais e materiais que a pátria-mãe lhe inflige por mãos tão impiedosas quanto as impiedosas mãos da cartolagem.
DUAS, GAFES
Perguntaram a Felipão se ele achava que fizera falta à beira do campo, no jogo com Honduras. Claro que fiz - respondeu o técnico, sem um pingo de modéstia. Foi franqueza, sem dúvida, mas não deixou de ser uma gafe. Afinal, a substituí-lo, no comando da tropa, estava um colega, não só de comissão, mas de profissão também. Lopes é treinador militante como Felipão. Bem feito, quem manda falar antes de pensar.
É bem verdade que, às vezes, uma declaração longamente concebida, também acaba em mancada. Veja, leitor, a frase orquestrada pelos jogadores, durante cinco horas de vôo: Perder de Honduras não é vergonha; vergonha é roubar.
Ora, amigos, no futebol brasileiro, hoje, há verbos que não convém mencionar publicamente. Roubar é um deles... Os meninos, sem pretender (?) perpetraram uma tremenda gafe. Não se fala de corda em casa de enforcado.
NABUCO DE SAIAS
A BBC, de Londres, acaba de filmar a vida de Gislaine Nunes, a advogada que está levando à loucura a cartolagem dos clubes. O documentário, feito em São Paulo, chama a moça de Nabuco do futebol brasileiro, alusão a Joaquim Nabuco, o político, escritor e diplomata pernambucano que liderou a campanha pela abolição da escravatura no Brasil.
Gislaine já ganhou na Justiça do Trabalho 106 causas, defendendo jogador com mais de três meses sem receber salário. O maior troféu de Gislaine é o passe livre de Juninho Pernambucano. Ela derrotou Eurico Miranda que, como se sabe, maneja como ninguém as armas mais espúrias no baixo clero do futebol.
Nabuco de saias é uma aliada na batalha, crucial batalha, de moralização do futebol brasileiro.
RÁPIDAS E RASTEIRAS
- Correr afasta o mau humor. Basta correr trinta minutos de três a quatro vezes por semana. Mas, atenção, se você deixar de correr, adeus bom humor. A tese foi provada por um estudo com idosos americanos. Quem conta é a revista Runners.
- Uma boa pizza pode ser saudável. De acordo com pesquisadores de Atlanta, nos Estados Unidos, a pizza pode ser rica em proteína, vitaminas B, C e Cálcio. Pra segurar o colesterol, o excesso de gordura deve ser absorvido por um papel-toalha.
Colaborou Andréa Escobar
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