Não via Guga desde Roland Garros. Em vez de jogar Wimbledon, ele preferiu espairecer. Foi surfar, que ninguém é de ferro. A pausa valeu. Em Stuttgart, Guga esteve simplesmente devastador. Na final, então, deu gosto ver. O argentino Cañas, que vinha fazendo um torneio impecável, diante de Guga, parecia um juvenil. A distância entre o tênis dos dois era insondável.
Quem assistiu ao jogo, me diga, por favor, em que momento Guga vacilou? Em que fundamento terá ele fraquejado? É impressionante o tênis de Guga. No serviço, nos golpes de fundo de quadra, no ‘‘drop shot’’, até mesmo na devolução de serviço, que não era lá essas maravilhas, enfim, em tudo de bom que tem o tênis, Guga foi um deslumbramento.
Se alguém me pedir que resuma em duas palavras o jogo de Guga, no saibro, eu não hesitarei: precisão e potência! São dois fatores que não costumam andar juntos na maioria dos jogos com bola. O tênis, então, nem se fale. É um esporte de enervante rigor matemático. Inconformado, Cañas resmungava cada vez que a bola de Guga triscava a linha: ‘‘Línea... Línea... e Guga não dava a mínima pra choradeira do argentino. Afinal, meu caro Cañas, a linha é imóvel e pertence à quadra que ela demarca. Vi-o treinar em Roland Garros e dou meu testemunho: o Guga repete, caprichosamente, à exaustão, os golpes de fundo de quadra, buscando sempre roçar as linhas laterais e a linha de base. É a sublimação do tênis.
Os gestos dele, me entram pelos olhos e vão direto ao coração. Me arrepia ver a amplitude, a agudeza, a profundidade, a exatidão dos golpes de Guga. Um braço, fino feito taco de sinuca, como é que pode gerar tanta energia? A bola se transforma numa espécie de granada de mão.
Observei, domingo, que Guga, hoje, mais que nunca, transpira solidez e autoconfiança. Porta-se, em qualquer situação da partida, com a intrepidez dos verdadeiramente fortes. É um exemplo de maturidade técnica e mental. Depois de tantas conquistas notáveis, ele não perde aquele ar de pureza que traz no semblante e com o qual enfeitiça o Brasil inteiro.
Enfim, Guga é um caso raro de duas cabeças que se dão muito bem: a dele e a da raquete.

É MALDIÇÃO, MESMO!

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