PARIS - Guga chega a mais uma final de Roland Garros. A partida dele, na Quadra Central, contra o espanhol Ferrero, foi uma récita de gala. Se tecnicamente Guga jogou um tênis irretocável, no plano tático, então, nem se fala. Tenista espanhol é mentalmente preparado para transformar qualquer jogo numa longa travessia. Uma espécie de caminho de Santiago de Compostela. infindáveis trocas de bola.
Guga não se deixou cair na tentação de Juan Carlos Ferrero. Em cada troca de golpes, ele tomava a iniciativa de definir o ponto. E definia, sempre, com uma audácia, com uma autoridade realmente de assombrar. Em nenhum momento da partida, Guga hesitou: atacou, sempre, com paralelas e cruzadas, prodígios de seu repertório.
Bem que o jovem espanhol tentou quebrar o ritmo de Guga. Foi, porém, perda de tempo. Quanto mais acelerava, mais a bola tornava pesadíssima. Ferrero, já em desespero no quarto ‘set’, caminhou até a cadeira. Foi trocar de raquete. No estádio, um silêncio de catedral. Ouve-se, então, uma voz nítida. É um brasileiro que grita lá do alto das cadeiras: ‘‘Non adianta cambiar de raquete!’’ O estádio não entendeu mas gostou. E não adiantou mesmo. Guga continuou seu solo imperturbável, paciente, indestrutível. Um esplendor.

EM BOM FRANCÊS: DESOLÉE!

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