Na Grande Área - Armando Nogueira
O Vasco da Gama voltou a ser derrotado pelo Flamengo. É a terceira decisão perdida e perdida, logo pra quem: pro maior rival. Haverá alguma lição que o vascaíno possa tirar de tamanha frustração? Creio que o melhor a fazer é não perder a fé. O Vasco da Gama é um clube que a história acabou transformando em respeitável instituição do esporte brasileiro.
Minha preocupação é com a imagem negativa que Eurico Miranda está construindo para o Vasco da Gama. Sei que um grande contingente da torcida se sente bem na companhia do cartola em quem vê a própria encarnação do destino do clube. E é aqui que reside o meu incômodo. Será que ainda vai levar muito tempo até que a torcida do Vasco se convença de que o estilo de liderança de Eurico Miranda está fazendo muito mal ao conceito popular do clube?
O Vasco da Gama nunca foi o clube mau-humorado que passou a ser depois que Eurico Miranda assumiu, há anos, o poder absoluto em São Januário. Conheço o Vasco há mais de 50 anos. Sou testemunha de tantos momentos de esplendor do clube, principalmente, no fim dos anos 40 e ao longo da década de 50. Sempre tive a cruz de malta como símbolo de luta, de afeto, de simpatia. Dentro e fora do campo, sempre tive prazer de lidar com gente da estirpe de Ciro Aranha, de Antônio Rodrigues Tavares (um cavalheiro, que trazia de Portugal a virtude maior de ser o braço anti-salazarista no Brasil de então), de Zé Osório, de Medrado Dias, de Diogo Rangel, de João Silva. Todos eles criaturas do maior respeito e que dividia com Ademir Menezes, Barbosa, Danilo, Maneca, Beline, as honras de um clube exemplar por todos os motivos. O Vasco sempre foi um modelo de civilidade, de cortesia. Citei jogadores que, além de craques consumados, eram figuras bem-humoradas, luminosas, que davam à camisa do Vasco uma aura de ardente simpatia. Pois Eurico Miranda destoa da tradição de fidalguia do Vasco. Considera-se um homem astuto, faceta em que dá banho nos rivais, mas é muito grosseiro pro meu gosto. Sem contar que, em matéria de ética, é um monstro de escuridão e rutilância.
Não vejo porque o Vasco da Gama tenha que ser a caixa-preta que tem sido na gestão de Eurico, seja ele vice, seja presidente. Esse moço só pode estar querendo proteger da transparência a sua própria administração. Por que manter a mídia afastada do clube? Por que diabos Eurico fez baixar em torno da colina uma tenebrosa cortina de ferro?
Esse cartola, a quem já batizei de general da banda podre, esse cartola, repito, está transformando o Vasco da Gama num assustador buraco negro.
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