Na Grande Área - Armando Nogueira
Rio e São Paulo começam, hoje, a decidir seus campeonatos. O Botafogo, em São Paulo, e o Flamengo, no Rio, ambos jogam só pela vitória. Vasco e Corinthians, por sua vez, contam com a dupla chance: vitória e empate. Não deixa de ser uma vantagem, embora não é tudo. O futebol, como boa imitação da vida, está sujeito às insondáveis maquinações dos fados. Os sortilégios do jogo que fazem do futebol um esporte desconcertante, repleto de surpresa. Quem duvidar, que duvide.
Se a lógica, pura e simples, fosse capaz de ditar o desfecho de uma partida de futebol, eu poderia dizer que o Corinthians, no embalo em que vem, está madurinho pra derrotar o Botafogo de Ribeirão Preto. Como poderia dizer, também, que, pelo histórico da atual temporada, o Vasco tem mais chances que o Flamengo. Sucede que o futebol não vive das teorias. Quando a bola rola, todo profeta se enrola.
À luz da coerência, seria justo afirmar que, tecnicamente, o time do Flamengo é bem mais páreo pro Vasco do que o do Botafogo pro Corinthians. Nem por isso, algum catedrático de botequim ousará proclamar, de véspera, o Corinthians campeão paulista só porque o Botafogo não tem em sua equipe ninguém com o talento e o fulgor de Ricardinho e de Marcelinho, pra citar dois jogadores que fazem a diferença em qualquer equipe. Sucede que um time que teve elã pra sair do buraco do qual saiu o Botafogo, domingo passado, contra a Ponte Preta, entra numa final com tamanha confiança que não será fácil dobrá-lo. É justamente dessa fonte que nascem os heróis.
Recebo alguns correios-eletrônicos em que torcedores me perguntam se o Flamengo tem cacife pra desbancar o Vasco, já tido como favorito. Sinceramente, não dou muito valor a favoritismo no futebol. Nos dois últimos campeonatos, ninguém apostava no Flamengo e o Flamengo saiu duas vezes campeão, quando o Vasco da Gama era, indisfarçavelmente, o preferido dos entendidos. Este ano, o time do Flamengo chega à decisão com uma equipe de mais envergadura. Quem desdenharia uma equipe que tem Gamarra, Petkovic, Edilson, craques que respaldam jovens talentos como Júlio César, Cássio, Juan e Reinaldo?
De antemão, alguns leitores como que cobram de mim uma predição: Vasco ou Flamengo? Corinthians ou Botafogo de Ribeirão Preto? Ora, amigos, tenho 50 anos de estrada. Me desculpem, mas a luz do entendimento me faz ser muito comedido. Só pra ficar no nível de Copa do Mundo, quebrei a cara em 50, com o Brasil; em 54, com a Hungria; em 66, com a Alemanha; em 74, com a Holanda; em 82, com o Brasil. Francamente, se já é temerário fazer profecia sobre um jogo de 90 minutos, que dirá num de 180 minutos.
Cala-te boca!
O PONTO ELETRÔNICO





