Na Grande Área - Armando Nogueira
Vamos deixar de conversa fiada: seleção de futebol é um bicho em vias de extinção. Pelo menos, tal como nasceu e por muitos anos existiu a famosa entidade. Noutros tempos, quando o país ia disputar uma competição de nível internacional, os jogadores eram convocados e ficavam dias, semanas e até meses, a serviço da seleção.
Pois bem, embora tivesse todo o tempo do mundo pra modelar a seleção, o treinador preferia, quase sempre, montar a equipe tendo como base o melhor time do momento. Só pra citar um exemplo: a seleção de 50 era moldada no Vasco da Gama, então, o grande campeão do Brasil. No mundial de 58, a seleção tinha o selo do time do Botafogo que entrava com Garrincha, Didi e Nilton Santos.
Agora, o técnico Leão se rende à velha receita, recorrendo ao quarteto do time do Corinthians, com Ricardinho, Marcelinho, Ewerton e Vampeta. Bem sei que Vampeta já não está no time, mas é como se ainda estivesse, tamanha a afinidade que havia entre ele e os ilustres remanescentes da bela equipe que tinha o Corinthians em passado recente. Eles jogavam juntos, no mínimo, duas vezes por semana, durante dois anos e meio. Já Ewerton, creio que o garoto só entra na ciranda corinthiana porque Luizão está fora de combate. Leão poderia perfeitamente recorrer também a Edilson que seria mais uma pedra do memorável tabuleiro corintiano.
Há quem veja na preferência por corintianos uma jogada política do técnico pretendendo seduzir, de antemão, a torcida majoritária de São Paulo. Será mesmo? Pois eu duvido. O Leão já está cansado de saber que o torcedor é, acima de tudo, um rebelde, um indomável, um descabelado. Não conte com ele porque com o torcedor não tem suplico... Um mero passe errado lá em baixo, pode deflagrar um bombardeio lá em cima. Quantas vezes já vimos o time do Corinthians levar sonoras bordoadas de sua torcida, mal começa o jogo? O que me parece é que o técnico está atrás de um mínimo de entrosamento ofensivo na seleção. Por isso, não hesita em sacrificar uma peça, a meu ver, valiosa, que é Juninho do Vasco.
Peito, mesmo, o homem revela é quando escala jogadores como Alessandro e Leomar que não têm uma historinha pra contar, além do que possam ter feito por seus respectivos times.
Então, é provável que tenhamos hoje: Rogério Ceni; Alessandro, Lúcio, Edmilson e Cesar; Leomar, Vampeta, Marcelinho e Ricardinho; Romário e Ewerton. Quer dizer: com o passaporte da seleção cheio de vistos, no duro, no duro, só Romário, Vampeta e, digamos, o goleiro Rogério.
Cabe a pergunta: e se der certo?; e se esse time sair por aí, vencendo e vencendo, até o dia de cruzar com a Argentina?; e se passar pela Argentina?; e se... ?; que será dos medalhões?; e dos catedráticos?; e de todos nós, críticos, cheios de equações e de teorias?
Só nos restará o imperecível clichê do conselheiro Acácio: o futebol é uma caixinha de surpresas...
Mas, se não der certo, era uma vez um técnico que pensava ser ele o próprio rei dos animais...
RÁPIDAS E RASTEIRAS





