O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, está em maus lençóis. A CPI da Câmara não tem aliviado a barra, embora haja, na comissão, uma brigada de deputados empenhada em livrar a cara de qualquer cartola sob suspeita de má gestão no futebol. Cá fora, há quem ache que a CPI dará em nada.
A esperança é que, pelo menos, as CPIs criem uma nova legislação capaz de purificar, um pouco, a gestão do futebol pelos clubes, federações e confederações. Que tal acabar com a reeleição interminável nos cargos eletivos? Tem cartola, aí, que já vai pro sexto ou sétimo mandato em federação e confederação. Quem comanda a orgia de poder, naturalmente, é sempre a confederação. No caso do futebol, é a CBF. Todo mundo acaba de conhecer via CPI como se dá a perpetuação do cartola: é com todo tipo de benesses, incluindo dinheiro, mesmo. Erva viva, depositada na conta pessoal do cartola eleitor. Coisa feia, parece a Sudam.
Ninguém tenha a menor dúvida: a cartolagem de má fé já vem chupando o sangue do futebol, há muitos anos. E faz isso, cinicamente. Impunemente. Por falar em moralizar a política do futebol, o amigo leitor se lembra da sucessão de Giulite Coutinho na presidência da CBF? Giulite está distante do futebol, embora continue a ser a alma do seu querido América F.C. Afastou-se por nojo. Seu candidato à CBF era Medrado Dias, um vascaíno histórico, um homem apaixonado por futebol e uma pessoa idônea. Ricardo Teixeira era o nome da oposição. Não tinha a menor ligação com o futebol. Era um arrivista.
A batalha foi cruenta. Voto a voto. Feita a conta no bico do lápis, uma prévia dava a vitória a Medrado Dias, vitória apertada, por um voto, apenas. Pois acredite quem quiser, o eleitor do Acre, cujo nome já nem me ocorre, vendeu a alma ao diabo quando ia atravessar a avenida Princesa Isabel, em Copacabana. O colégio eleitoral estava reunido no Hotel Meridien. Pois o sacripanta do meu conterrâneo, abordado no sinal amarelo do cruzamento, trocou de candidato, graças, certamente, a um bom troco...
E assim vai se contando a sinistra história de um tempo que o futebol brasileiro não merecia viver; ou melhor, não merecia sofrer.

BOLA DENTRO, BOLA FORA

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