Na Grande Área - Armando Nogueira
E se eu disser que o oxigênio que faltou à seleção em Quito é o mesmo que faltou aos equatorianos, a maioria dos quais joga, rotineiramente, ao nível do mar?; e se eu disser que não me pegou de surpresa a derrota brasileira?; e se eu disser que o Brasil está deixando de ser o bicho papão do futebol mundial?; e se eu disser que mais da metade da equipe derrotada em Quito não tem cacife pra formar numa seleção de elite?; e se eu disser que o ranking da FIFA, entronizando, o Brasil em primeiro lugar, é um mero artifício promocional da Coca-Cola, patrocinadora da fajuta graduação?; e se eu disser que, com o fim do contrato com a CBF, a Coca-Cola será mais rigorosa com o futebol brasileiro no tal ranking de seleções?; e se eu disser que a crise moral na cúpula da cartolagem está afetando a auto-estima do futebol brasileiro?; e se eu disser que a Argentina desponta, ao lado da França, como grande atração do futebol mundial, no momento?; e se eu disser que, celeiro por celeiro, a Argentina, com 30 milhões de habitantes, exporta mais craques que o Brasil, com seus 160 milhões?; e se eu disser que a maciça importação de brasileiros pelo futebol europeu é mais fruto de armações entre cartolas e empresários, de lá e de cá, do que outra coisa qualquer?; e se eu disser que essa conversa de altitude, de falta de treino, desentrosamento, é tudo papo furado de quem não percebe que a atual geração joga melhor na mídia que no campo?; e se eu disser que um sintoma grave da crise técnica do nosso futebol é a marca recorde de 50 faltas por partida, enquanto no resto do mundo, não chega a 30 faltas?; e se eu disser que a dura realidade desmente e não é de hoje a bazófia de que somos o melhor futebol do mundo?; e se eu disser que os adversários, até mesmo os do andar de baixo, como Equador, Chile, Paraguai, México, já descobriram que o bicho já não é mais tão feio como se pinta?; e se eu disser que esperava morrer antes de ver, como vi quarta-feira, a torcida equatoriana embalar os derradeiros minutos da partida, com um torturante olé em cima do Brasil?; e se eu disser, que, quarta-feira, enquanto a seleção comia o pão que o diabo amassou, em Quito, o comandante-em-chefe do futebol brasileiro, sr. Ricardo Teixeira, mexia os pauzinhos, em Brasília, pra tirar o dele da reta nas duas CPIs do Congresso?; e se eu disser que as chuteiras vistosamente brancas só serviram pra ressaltar, ainda mais, a indigência técnica do futebol de Rivaldo quando está na seleção?; e se eu disser que Manuela, de 7 anos de idade e que gosta de futebol, pediu a mãe pra desligar a televisão porque não estava aguentando mais o vexame da seleção?; e se eu disser que podem me chamar de chulo mas, juro a vocês que, tal como a Manuela, estou absolutamente de saco cheio com essa seleção?
Amigo leitor, desculpe se estrago a primeira hora de seu precioso domingo.
O REI DO MUNDO





