Está pra nascer uma lista de convocação que não mereça reparos, seja de quem for: torcedor, jornalista, jogador. Claro que a nova chamada de Leão, pro jogo com o Equador, dia 28, não poderia escapar à regra. Eu, por exemplo, não vejo porque, já não digo escalar, mas até mesmo selecionar, o zagueiro Roque Júnior. Zagueiro que não calcula direito o tempo da bola, pra mim, não merece a seleção. Primeiro, filho, tens que aprender a não se deixar trair pelo quique da bola; depois, então, veremos se um dia serás, de fato, um craque.
Ao mesmo tempo, aplaudo a ocasional exclusão de Roberto Carlos. Um ótimo jogador, ninguém duvida. Uma coisa, porém, é vê-lo em campo, esfuziante, aplicado, com o Real Madri, outra, completamente distinta, é vê-lo na seleção nacional. O que esbanja, em vigor e ofensividade no time espanhol, é tudo claramente sonegado na seleção. Outro caso de exclusão igualmente louvável, mas, aqui, por outras razões, é Cafu. Trata-se de alguém que vale muito pelo entusiasmo, pela obstinação, embora não seja tão cheio de virtudes técnicas como é Roberto Carlos. Sucede que já é hora de acabar com o tabu de que lateral-direito no Brasil, só há ele, Cafu. Em boa hora, Leão está dando uma chance a Belletti. Trata-se de um meia atacante que, de bom grado, se converteu em lateral e cujo futebol tem dado um pé enorme no time do São Paulo. Lembro-me de Belletti, soltando o sarrafo em todo mundo, quando jogava, se bem me lembro, no Atlético Mineiro. Vivia pendurado em cartões amarelos e vermelhos. Depois que virou lateral, está tomando jeito. Chega a proclamar, com franqueza, que se arrepende do tempo em que não contava até três pra fazer uma falta grosseira. Agora, Belletti está afinando o estilo. Tanto melhor pra ele e pra seleção. Há dias, batemos um papo ligeiro, quando me reafirmou que fez uma dura autocrítica. Repensou sua vida e sente que deu a guinada certa, na hora certa. Aplausos porque Belletti é muito bom jogador.
No mais, a lista de Leão é satisfatória. Espero que a equipe tome consciência de que não vai ser nada fácil esse jogo de Quito. Os equatorianos estão jogando certinho, têm dois trunfos que valem ouro: a altitude e a torcida que é, sempre, inflamada. Em tempo: a volta de Alex é um estímulo a um excelente jogador que tem andado de crista baixa.

BOLA DENTRO, BOLA FORA

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