Que seria de nós se não tivéssemos Guga pra dar alegria aos nossos corações? Do jeito que anda o futebol, já estaríamos todos fritos. A emoção do jogo, ultimamente, reside no terceiro tempo, o da cobrança de pênaltis que define o vencedor. A bem da verdade, o critério de pênaltis, sempre mal visto, até que tem sua dose de arrebatamento. A cena das execuções dá um aperto no coração. Lembra o suspense do cinema e dos folhetins literários.
Sei de muita gente que deplora a cobrança de pênaltis. Prefere a prorrogação com morte súbita, fórmula que, por sinal, também tem seus detratores. A mim, ambas me agradam. Venho do tempo em que a derradeira instância era cara-ou-coroa tirado pelo árbitro, no centro do campo, diante dos dois capitães. Poderia haver coisa mais melancólica como desfecho de uma partida?
Confesso que gosto dos pênaltis, a começar da liturgia: os jogadores no grande círculo, abraçados e contritos, o rosto angustiado da torcida, a longa e solitária travessia do verdugo, que, na verdade, nada tem de verdugo e, por fim, o epílogo emocionante. É curioso que, na hora dos pênaltis, quem menos sofre é o goleiro. Outro dia, vimos Rogério Ceni provocar alguns cobradores do Fluminense, com um variado repertório de provocações mímicas e verbais: ‘‘Vou ficar parado no meio!’’ - sussurrava o goleiro do São Paulo, fitando nos olhos cada rival à sua frente. E não é que ele conseguiu desestabilizar alguns deles? De fato, no plano psicológico, quem defende um pênalti acaba muito mais festejado do que quem converte. E se assim é durante a partida, muito mais ainda será no duelo pós-jogo. É bom notar que, na hora da verdade, enquanto o goleiro tem cinco chances de virar herói, o cobrador só tem uma; é bola ou é búrica...
Não há dúvida de que o pênalti virou o dia da caça...

...O ZÉ-DO-EFEITO...

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