Pergunto aos amigos mais chegados o que é que aconteceu no futebol brasileiro, durante os vinte dias em que estive fora do ar. Ninguém me surpreendeu com uma novidade sequer.
Lembrei-me de uma visita do escritor Fernando Sabino a seu amigo Rubem Braga. Sabino passara três anos, morando na Inglaterra. Chegou e foi logo tomar um uísque com o velho Braga. Estava seco pra saber das novas.
– E aí, Rubem – perguntou: – muitas novidades? O que é que está acontecendo por aqui?
Rubem, com seu conhecido ar de enfado, respondeu que o Brasil andava meio devagar. Nada de especial tinha pra contar ao amigo. E concluiu.
– A única novidade, aqui, é que, agora, o cigarro Hollywood está vindo com filtro...
Triste futebol brasileiro, nada, nada de novo, tudo cheira a mesmice: é o Clube dos Treze, um pândego saco de gatos; são as bravatas do Eurico Miranda, o general da banda podre; é a CBF, cada vez mais cediça, cada vez mais omissa; é a novela hedionda dos passaportes falsos; é a mesma cara-de-pau dos cartolas; é a indigência do futebol que hoje se joga no Brasil.
O futebol brasileiro é o próprio Hollywood sem filtro.

A solidariedade

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