Na Grande Área - Armando Nogueira
Leão convoca e a seleção já vem escalada, pronta pra jogar. É boa praxe, embora não queira isto dizer que, mais adiante, os nomes não serão outros e o time também outro. Assim correm os novos tempos do futebol. Não há mais a seleção, aquela equipe que o torcedor trazia de cór e salteado. Fosse treino, fosse amistoso, fosse jogo oficial, todo mundo cantava o time na cadência com que se declama um soneto. Era assim: Gilmar, Djalma Santos, Beline, Orlando e Nilton Santos, Didi e Zito; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo.
Hoje, mil fatores conspiram contra a efetivação de uma equipe. Não há mais aquela sopa de ter jogador a tempo e à hora. A CBF estalava os dedos, o clube não tinha peito de dizer não.
Tomara que Leão continue, assim, criterioso na escolha do elenco, a cada nova convocação. O treinador, hoje em dia, está, na mira escaldada da torcida. Cabe-lhe, mais que nunca, restabelecer a dignidade do cargo. Não dá mais pra ficar impingindo na seleção pretensas revelações. A manobra escusa já está manjada. Não é de hoje que nos vendem gato por lebre. De repente, pinta na lista um nome de segundo escalão. No dia seguinte, o distinto entra em campo, engana, ali, uns 15 minutos. Pronto: era o by appointment da camisa famosa que o empresário buscava pra poder fazer escabrosas transações, com muito dólar correndo por baixo do pano. Uma pouca vergonha a que a CBF nunca deu a mínima bola. Daí, que estamos todos apostando no trabalho das duas CPIs do Congresso.
PORTUGAL MEU ENCANTO





