A exemplo do que acontece com todo homem que um dia decide virar técnico de qualquer modalidade esportiva, Emerson Leão sempre pensou em dirigir a seleção do seu país. Não foi de ficar anunciando aos quatro ventos, mas a obstinação é uma palavra presente em todas as páginas do seu dicionário. Foi assim enquanto defendeu o Palmeiras e o Vasco e permaneceu quando passou a assistir aos jogos do lado de fora do campo.
O fim do ano passado marcou sua entrada na Seleção e uma convivência dócil com a torcida e a imprensa. Agora é a hora da verdade. Substituto de um técnico (Wanderley Luxemburgo) que ninguém tinha dúvidas de que estaria dobrando a coluna para cumprimentar os japoneses que fossem entrevistá-lo em Tóquio em 2002, Leão entrou com seu estilo – algo que ele sempre teve – e atento aos tropeços cometidos pelo seu antecessor.
Convivi com Leão quando era repórter da saudosa ‘‘Última Hora’’ e ele goleiro do Vasco. Naquela época polemizou com alguns dirigentes por ter comportamento diferente de outros jogadores – era educado, mas não servil; e objetivo, sem ser autoritário. Tinha uma qualidade que, desde garoto, me faz pensar duas vezes sobre com quem converso: o aperto de mão firme e o olhar sempre em direção a quem o entrevistava. Desconfio daquele que cumprimenta de mão mole e não me encara enquanto fala.
Seleção Brasileira é um massacre para o mais zen dos técnicos – não existe nenhum com este perfil – e Leão não é homem de deixar pergunta sem resposta. A partir da convocação de amanh㠖 a primeira do milênio e segunda de Leão – começarão os seus problemas. Por que esse e não aquele? Que motivos o levaram a chamar fulano e não beltrano? Qual é o time-base? Acredito que Leão está preparado para responder a todas essas perguntas, mas lembro que é o começo de um trabalho e está para nascer o técnico de Seleção Brasileira que deixe todos os outros 160 milhões de treinadores satisfeitos com o que pensa e faz.

Ídolo diferente

mockup