A relação entre Wanderley Luxemburgo e Marcelinho sempre primou pela mútua antipatia. A habilidade do técnico na armação de uma equipe e a do atacante com a bola jamais se repetiu nas relações entre ambos. Já se odiaram, o tempo encarregou de afastá-los, o que adormeceu a ira, e agora se reencontram sempre na mesma situação: Wanderley a mandar e Marcelinho a ter que obedecer.
No primeiro treino na volta do técnico ao Corinthians, o único problema foi com Marcelinho. O atacante fez uma das coisas que mais gosta e irrita a Wanderley: ignorar uma determinação do técnico. Ouviu calado uma frase que seus ouvidos já se acostumaram a ser dita por Luxemburgo: ‘‘Eu mando e você obedece’’.
Dia seguinte, Wanderley se reencontra com o Pacaembu, com a torcida que tanto o venera e com dois minutos, bem na frente do juiz!, Marcelinho dá uma cabeçada em Jorginho. Gesto para ser expulso, atitude para ser criticada. Tudo isso aconteceu, mas não foi novidade para o técnico. A cabeçada foi no apoiador do Fluminense, mas o alvo era Luxemburgo. O maior ídolo da história recente do Corinthians, que tem seu comportamento – numa partida é tão desleal quanto habilidoso – sempre exaltado quando com a bola nos pés e relevado quando com os pés, ou cabeça, no corpo do adversário, não suporta Wanderley e vice-versa. Trancados num elevador brigariam para ver quem pediria socorro por último só para mostrarem um ao outro quem era mais forte e resistente.
O momento é delicado para ambos. O técnico sabe que o Corinthians teve a coragem que outros não demonstraram. Foi buscar um profissional que ainda está com uma mira laser apontada na testa pelos integrantes das CPIs. O sucesso do time paulista mostrará que os problemas pessoais não afetam o profissional. Já o atacante, sempre uma unanimidade, hoje não é mais visto como aquele menino inocente, que fazia agradecimentos a Deus pelo gol marcado. Sabe também que uma sonhada volta à Seleção Brasileira passará pelo que mostrar dentro de campo. Comportamento como o de quinta-feira só o afasta ainda mais da camisa verde e amarela.

Acordo de gigantes

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