Na Grande Área - Armando Nogueira
A ingenuidade não é uma das características da personalidade do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Quem trafega pelo mundo da cartolagem não apenas brasileira, mas mundial não pode se dar ao direito de acreditar em tudo que lhe dizem, assinam ou garantem. Quando vestiu o seu primeiro uniforme, Pelé já não tinha mais nenhum compromisso com a inocência. Foi essa uma das suas virtudes ao longo de uma carreira que não merece reparos, observações ou críticas. Está associada ao elogio.
A possibilidade de um acordo entre os outroras inimigos Teixeira e Pelé é um gol a favor para Ricardo Teixeira. Até agora, principalmente pelo silêncio de Pelé, ele tem a patente do conciliador, do homem que estendeu a mão. Do outro lado, não sei se por vergonha de ter rasgado a bandeira da moralização no futebol, existe um calado Pelé. Dá a impressão de estar convencido de que é preciso sentar à mesa com os que sempre criticou, mas sem coragem para vir a público e dizer os motivos que o levaram a mudar o discurso.
Por tudo o que fez enquanto jogou futebol, Pelé foi colocado na perigosa relação das pessoas acima do bem e do mal. Não existe ninguém no mundo com essas características. Pelé é empresário, tem um escritório que vive do futebol e dos seus negócios e se agora dá bom dia e boa tarde para Ricardo Teixeira é porque está preocupado com os rumos desse negócio, do qual ele faz parte desde os tempos em que foi Ministro dos Esportes.
Derrota da arrogância





