Distante do espelho das câmeras e dos holofotes, a CPI do futebol na Câmara, em Brasília, dá toques precisos para transformar o esporte num jogo mais limpo. A investigação envolvendo o vice-presidente da Federação Maranhense de Futebol, o médico Cassas de Lima, é passe de primeira para esmiuçar uma das praticas mais antigas no esporte: a ‘‘fábrica de gatos’’. O Maranhão virou paraíso deste tipo de negociata e Cassas era um dos pontas-de-lança do esquema.
Acompanho futebol desde o começo dos anos 60, quando Nílton Santos atuava pelo Botafogo e fazia a alegria das crianças, entre elas eu, que brincavam nas areias limpas e mar também da Praia do Leblon no Rio de Janeiro. Naquela época já se comentava sobre adulteração da idade de jogadores. Falsificação será sempre falsificação, mas a dos meus tempos de menino era para colocar o garoto mais rapidamente no juvenil e só. Tivesse sido combatida e talvez não proliferasse.
Hoje, a situação é bem diferente. Já de algum tempo, a moda de adulterar idade deixou de ser apenas um artifício para que o jogador ingressasse mais rapidamente no juvenil. Por trás do crime está o olho comprido no mercado externo. Falsifica-se a idade daquele garoto com a cabeça repleta de sonhos para que ele entre rapidamente na Europa e casado com esta operação vem o passaporte falso, que já fez vítimas conhecidas como Warley, agora no Grêmio.
A informação de que o Americano de Bacabal – inexpressivo clube maranhense – negociou nos últimos cinco anos mais de 100 jogadores para o exterior e de que não participará do campeonato por estar sem dinheiro (!) deixa o torcedor aturdido. Que fábrica de talentos é esse clube? Que trabalho faz em suas divisões de base para conseguir tão expressiva marca?
O combate aos ‘‘gatos’’ que não miam e não têm medo de água fria é gol de placa da CPI do futebol. Significa o combate àquela figura que se proclama empresário, mas tem comportamento de feitor. Vende um mundo de ilusão para o garoto que pode mudar a vida da família com os pés, ganha dinheiro em cima do negócio feito em dólares e depois vai jantar num restaurante elegante, bebendo um bom vinho e fumando charuto. Combatê-los, bani-los do futebol é obrigação de quem acredita ser possível moralizar o esporte. E na CPI há deputados convencidos disso.

DOIS COMPORTAMENTOS

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