Na Grande Área - Armando Nogueira
A farra financeira do futebol acabou. Há oferta, mas não existe procura e o fim de semana mostrou com o começo dos Campeonatos Estaduais que a frase Queremos time, slogan de torcedor insatisfeito, será trilha sonora de muita transmissão de futebol pela televisão. O dinheiro que antes era fácil e gasto sem preocupações com o futuro não circula com intensidade e o cartola que ontem enchia a boca para dizer quantos dólares pagaria por este ou aquele jogador, hoje adota discurso vestido de cautela.
Pode-se até definir esta política como a de pés no chão, mas a súbita racionalidade na hora de assinar ou endossar o cheque tem a ver com o que acontece em Brasília. As duas CPIs, da Câmara e do Senado, ainda não chegaram a nenhuma conclusão sobre o nosso carnavalesco nem as Escolas de Samba têm este modelo modo de administrar futebol, mas as gotas do que pode ser uma tempestade deixaram os dirigentes com os olhos atentos, ouvidos abertos, língua presa e bolsos fechados.
A mudança de atitude é para ser aplaudida. O futebol brasileiro precisa se adequar a uma realidade para a qual recusou ser apresentado nos últimos anos. Sempre arrecadou pouco e gastou muito, o que contraria qualquer princípio econômico. Como jamais teve responsabilidade com o dinheiro que gastou, o cartola passou anos dizendo sim para o artilheiro apresentado numa fita de vídeo e aceitando o beque que foi apelidado de xerife. Resolveu mudar de estilo, porque não está a fim de chamar a atenção, não tem dinheiro e tampouco sabe o que poderá acontecer daqui para a frente.
O torcedor que se acostume a estes tempos. O novo comportamento duvido da sua longevidade fará daquele time pelo qual ele nutre paixão uma equipe mais modesta, irregular. Deu certo no século passado com o Palmeiras e o São Caetano. Pode dar com os outros, mas não se deve pensar que folha salarial baixa é passaporte para time competitivo, lutador e vitorioso. Isso passa pelo cumprimento das obrigações pelo lado da cartolagem. E aí...
ÓDIO E ÓDIO





