A farra financeira do futebol acabou. Há oferta, mas não existe procura e o fim de semana mostrou com o começo dos Campeonatos Estaduais que a frase ‘‘Queremos time’’, slogan de torcedor insatisfeito, será trilha sonora de muita transmissão de futebol pela televisão. O dinheiro que antes era fácil e gasto sem preocupações com o futuro não circula com intensidade e o cartola que ontem enchia a boca para dizer quantos dólares pagaria por este ou aquele jogador, hoje adota discurso vestido de cautela.
Pode-se até definir esta política como a de pés no chão, mas a súbita racionalidade na hora de assinar ou endossar o cheque tem a ver com o que acontece em Brasília. As duas CPIs, da Câmara e do Senado, ainda não chegaram a nenhuma conclusão sobre o nosso carnavalesco – nem as Escolas de Samba têm este modelo – modo de administrar futebol, mas as gotas do que pode ser uma tempestade deixaram os dirigentes com os olhos atentos, ouvidos abertos, língua presa e bolsos fechados.
A mudança de atitude é para ser aplaudida. O futebol brasileiro precisa se adequar a uma realidade para a qual recusou ser apresentado nos últimos anos. Sempre arrecadou pouco e gastou muito, o que contraria qualquer princípio econômico. Como jamais teve responsabilidade com o dinheiro que gastou, o cartola passou anos dizendo sim para o artilheiro apresentado numa fita de vídeo e aceitando o beque que foi apelidado de xerife. Resolveu mudar de estilo, porque não está a fim de chamar a atenção, não tem dinheiro e tampouco sabe o que poderá acontecer daqui para a frente.
O torcedor que se acostume a estes tempos. O novo comportamento – duvido da sua longevidade – fará daquele time pelo qual ele nutre paixão uma equipe mais modesta, irregular. Deu certo no século passado com o Palmeiras e o São Caetano. Pode dar com os outros, mas não se deve pensar que folha salarial baixa é passaporte para time competitivo, lutador e vitorioso. Isso passa pelo cumprimento das obrigações pelo lado da cartolagem. E aí...

ÓDIO E ÓDIO

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