Na Grande Área - Armando Nogueira
Nos últimos dias tenho me esforçado para entrar na cabeça do torcedor. Não é tarefa fácil, até porque o cérebro de quem grita o nome do seu time; xinga o juiz e é capaz de sair no braço na defesa do craque da equipe em nada tem a ver com o sujeito que se despede da mulher com um apaixonado beijo; dá bom dia para o ascensorista e conta piadas na hora de almoço. No décimo oitavo dia de janeiro, de 2001, o futebol brasileiro conhecerá seu campeão do ano anterior. Pouco depois das 18 horas de amanhã, o capitão de um dos times erguerá a taça da Copa João Havelange e assim estará encerrado o calendário (?) de 2000 do futebol brasileiro. Só não sei é se quem for para a Avenida Goiás, principal rua de São Caetano, ou para a General Almério de Moura, um dos principais acessos a São Januário, estará cem por cento feliz. Daí o nascimento desta idéia de querer radiografar o cérebro do torcedor.
A curiosidade em mergulhar na cabeça deste sujeito apaixonado é oxigenada por uma pergunta, que uns acharão descabida, chata, preconceituosa e outros, talvez poucos, ouçam com atenção: comemorará o torcedor o título de uma competição, que ao contrário da frase na bandeira nacional Ordem e Progresso foi de Desordem e Retrocesso? Pode parecer uma estranha ou infundada preocupação, até porque o Maracanã estará lotado; a camisa do Vasco nas ruas será tão presente quanto o sol nestes dias de verão e o torcedor, justamente por só ter compromisso com a paixão, pouco se dá a exercícios mentais.
Mas sei que mesmo o mais aguerrido vascaíno ou torcedor do São Caetano festejará sem a alegria que existia na tarde de 30 de dezembro. É como festa adiada na época do colégio. Você passa a semana inteira falando nela; pensando na roupa que vai usar; compra o convite e no sábado, na porta, é informado que o toldo para proteger da chuva não ficou pronto e o maestro brigou com a orquestra. Foi transferida para a semana seguinte e aí não será a mesma festa.
Fico com esta sensação, que não será compartilhada pelos torcedores da equipe que conquistar o título. Lamento ver uma final com este sabor, mas também vou comemorar. De amanhã, a Copa João Havelange não passa. E o melhor a fazer, seja quem for o campeão, é colocá-la no fundo de um armário ou então usá-la sempre como modelo a não ser seguido. Vai sem deixar saudades.
OS DOIS EDUARDOS





