Na Grande Área - Armando Nogueira
O desfecho da Copa JH está na cara: a cartolagem vai proclamar dois campeões e não se fale mais nisso. O campeonato termina exatamente como começou: no tapetão, seja do Clube dos Treze, seja do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Por que será assim? Simplesmente porque a única saída realmente esportiva, que seria um novo jogo, essa é impraticável. Não há data, os jogadores do Vasco estão de férias, o São Caetano, em fim de contrato, não tem time pra escalar.
É claro que a idéia de dois campeões não tem respaldo legal. Código algum prevê a hipótese de uma competição terminar com mais de um vencedor. Por outro lado, não há como tirar um campeão daquela tragédia em que se converteu o jogo de São Januário.
A volta olímpica do time do Vasco foi um primor de cara-de-pau a que foram levados os jogadores, como sempre, por lunática inspiração de Eurico Miranda. Aliás, a jogada dele já é conhecida. Quem não se lembra do campeonato carioca de 90 em que o time do Vasco, induzido pelo mesmo Eurico, também deu uma postiça volta olímpica, querendo arrebatar ao Botafogo o título de campeão estadual?
O Vasco da Gama tentou celebrar uma conquista que não tinha o mínimo sentido. Mas, não há como enquadrá-lo no tal artigo 299 do Código Brasileiro Disciplinar que pune com a derrota o time anfitrião cuja torcida invadiu o campo e perturbou o andamento da partida. Não foi isso que se deu. Houve um acidente, sim, mas inteiramente alheio à vontade do torcedor. O mais que o fato pode provocar é uma ação judicial contra a administração do clube. Por isso, seria também uma distorção declarar campeão o São Caetano só porque desabou um alambrado, inviabilizando o resto da partida. Bem que o time azulão merece o carinho e o respeito de todos. Mas não vejo legitimidade no título que alguns lhe querem conferir.
Não diria que houve uma fatalidade. A primeira investigação mostra que a direção do Vasco foi negligente, descuidando inteiramente, de suas instalações. Deve ser punido, duramente. Mas nem por isso, teria cabimento consagrar o São Caetano campeão brasileiro. Além de ser injusto com o time do Vasco da Gama, que vinha sendo brilhante e lealmente combativo, seria também uma afronta ao espírito esportivo.
Enfim, a cartolagem acaba dando uma de Salomão e pode rachar o título entre os dois, coisa, infelizmente, tão comum nesse futebol de fancaria em boa hora sentado no banco dos réus de duas CPIs.
O NOSSO HOMERO





