O torcedor pagou por um jogo e levou dois. Primeiro, o Palmeiras ganha do Vasco por 3 a 0; depois, o Vasco da Gama ganha do Palmeiras por 4 a 0. Foram duas partidas distintas, no Parque Antártica, quarta passada. A goleada do Palmeiras consumou-se em cima de um Vasco estático, descrente, atarantado. A do Vasco, no segundo tempo, deixou o Palmeiras perplexo, enxague, moribundo.
Todo mundo sabe, a começar do conselheiro Acácio, que o futebol é uma caixinha de surpresas, mas, no jogo Palmeiras-Vasco, a tal da caixinha passou dos limites. Como disse, ai em cima, foram dois jogos disputados nas águas da transfiguração. Num piscar de olhos, o que era Palmeiras virou Vasco e o que era Vasco virou mais que Palmeiras. Foi uma reviravolta como nunca se viu, nem mesmo na novela das oito...
O triunfo vascaíno é daqueles que a história não nos deixará esquecer. Aparentemente derrotado, o time ressurge no segundo tempo, de alma nova, como se não tivesse levado uma sova de uma adversário até então irresistível. Viu-se, então, quanto pode um coração desafiado. Juninho Paulista foi o elemento deflagrador da transformação. Sem pedir licença a ninguém, o rapaz assumiu o jogo, não como um regente, mas como um solista: saia driblando, driblava um, dois, infiltrava-se em vertiginosa velocidade, fazia passes-relâmpago e acabava derrubado à entrada da área, quando não era dentro da área. Sofreu dois pênaltis (um deles, a meu ver, encenado por ele). O resto do time, contagiado, ganharia ânimo e participaria decisivamente do episódio heróico nascido de Juninho.
Magistral, enfim, a exibição de Juninho Paulista, senhor do jogo, senhor de uma noite que ele tornaria ainda mais notável quando, finda partida, dedicou sua estupenda exibição ao treinador Oswaldo de Oliveira.

ESPORTE RADICAL...

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