O São Caetano já não precisa sair campeão do Brasil pra merecer o título de revelação do ano 2000. É finalista com todo direito. Saiu do módulo amarelo pra mostrar o seu valor no módulo azul, por sinal, a cor que o simboliza. Passou, sem maiores angústias, pelo Fluminense, pelo Palmeiras e pelo Grêmio.
Afinal, de onde vem essa esfinge que ainda não encontrou quem a decifre? Dela sei pouco, mas o que já sei, confesso, me enfeitiça. Não tem nada de mais, admito, mas também não tem nada de menos. Está até um pouco acima do que se tem visto, por ora, no futebol brasileiro.
Agrada-me nessa equipe o desassombro. Não quer nem saber quem vem de lá. Antes que alguém venha, ela se antecipa e vai à luta, disparando chumbo grosso. É um time pequeno que joga com grandeza. Ataca sem medo de ser atacado. Seus jogadores são ilustres desconhecidos. Não aparecem em nenhum álbum de figurinhas. Não se vê, em campo, o brilho de individualidades. A equipe não tem duas caras, nem três, nem onze. Tem um só rosto, banhado pelo suor que vem da mesma fonte: a solidariedade.
Nos seis jogos do rótulo azul, vi a mesma autoconfiança que a equipe mostrava, nas partidas do amarelo, a que andei assistindo, pela tevê, nas solitárias noites de cada segunda-feira. E sempre me impressiona como tem sido imperturbável a equipe do São Caetano. Dizem que é assim porque não tem nada a perder. Pois direi o contrário: talvez seja assim porque seus jogadores têm muito que ganhar na vida. Ainda não desistiram de sonhar. São rapazes vindos de longas e sofridas estradas no futebol. Vocês já repararam que o time do São Caetano é contido o tempo todo? Ninguém sorri, ninguém faz cara feia, ninguém desdenha de nada. Mentalmente, o time parece temperado pelo desejo incoercível de vencer. Bem que o futebol ensina: time assim é time em estado de graça.
Que bom seria se os deuses do futebol quisessem contemplar os anônimos operários do São Caetano com a unção de uma conquista maior.

SEGUNDONA, UMA PEDREIRA

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