É ou não é de tontear? Justamente no primeiro ano das parcerias milionárias pra valer, o futebol brasileiro termina a temporada enchendo a bola dos times baratinhos como Palmeiras, São Caetano, Paraná, Inter, Bahia, Sport Recife. Se bobear, só o salário do Edilson ou do Petkovic cobre a folha mensal do São Caetano e ainda vai sobrar um bom dinheiro pra refrescar as finanças do Sport, que deve dois meses a seus dedicados profissionais.
O Palmeiras, que há dez anos vinha jogando com equipes de alto custo, desmontou o elenco luxuoso e aí está, batalhando em duas frentes, com uma rapaziada novinha, sem cartão de visita e obstinada.
Já o exemplo maior da política oposta é o Flamengo que, só este ano, gastou cerca de 40 milhões de dólares pra encher o time de astros e acabar eliminado a meio caminho da Copa João Havelange. Cometeu tais desatinos, valendo-se da pródiga ajuda da ISL que a oposição rubro-negra, agora, abre a campanha do candidato Roberto Abranches com uma denúncia no mínimo bizarra: ‘‘O Flamengo paga 480 mil reais por ano para o atacante Tuta jogar... pelo Palmeiras.’’
O quadro não consagra a política do ‘bom e barato’, pois, na verdade, esse caminho praticamente acaba afetando o padrão técnico de um campeonato. Não se faz uma grande equipe sem craques. É fora de questão que a Copa João Havelange vem transcorrendo, o tempo todo, em nível apenas razoável. Não houve, até aqui, um único time que se impusesse pelo talento, pelo fulgor individual e coletivo. Até porque o próprio calendário conspira contra a qualidade de qualquer espetáculo. Vejamos o Vasco da Gama. Sem ser um supertime, ninguém pode negar que está bem servido de craques, mas, coitado, é mais uma vítima da ganância da cartolagem. Disputa a Havelange e a Mercosul, massacrando seus jogadores, num vai-e-vem impiedoso.
Por outro lado, a política de equipes de alto luxo não é mais coisa de gente pobre. Brasil e Argentina estão condenados, mais que nunca, ao papel de fornecedores de craques pra Europa. É lá que está o dinheiro capaz de bancar a fina flor dos campos: os Rivaldos, os Batistutas, os Verons, e até mesmo a turma de valor discutível mas que acaba indo embora por fortunas, no embalo da velhacaria dos empresários em cínica aliança com cartolas despudorados – de cá e de lá.
E assim ficamos: o bom e barato não vinga, o bom e custoso dura pouco. Pra quem, como eu, vem de outras eras, não é fácil, querido leitor.

O cabeça-de-área

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