O mata-mata de quarta-feira, pela Copa João Havelange, acabou tragado por dois jogos da Mercosul: Palmeiras x Atlético Mineiro e Vasco x River. O primeiro não passou no Rio, mas só pode ter sido mais uma noite de transbordamento do Palmeiras, a equipe baratinha e infatigável que sucedeu ao time milionário desfeito com a saída da Parmalat.
Empolgante, pra mim, não foi o mata-mata doméstico e sim o jogo de Buenos Aires em que o time do Vasco da Gama derrotou o River Plate. Só pra ter uma idéia da carga de emoção da partida, se, num passe de mágica, os times tivessem trocado de goleiro, o Vasco da Gama estaria, agora, amargando uma goleada bem maior do que a que enfiou no time argentino. Sem um pingo de exagero: o goleiro Helton salvou o Vasco da Gama das trevas de um bombardeio implacável, e o goleiro Bonano, por sua vez, foi quem afundou o River. Há algum tempo eu não via um goleiro fazer o que fez o jovem Helton, no primeiro tempo da partida. Sabe aquelas bolas à meia altura, que vão certeiras nos cantos? Pois, só daquelas, o Helton defendeu umas cinco. Que noite extraordinária de um goleiro.
Uma pergunta ao técnico Oswaldo de Oliveira: por que, tendo feito dois a zero, o time do Vasco da Gama encolheu-se tanto? Sei que todo time, por instinto, se retrai pra assegurar uma vantagem alcançada nos primeiros minutos de uma partida. Mas, é um tanto irracional. Se o Vasco, ainda no primeiro tempo, já tinha feito dois, por que não manteve o mesmo desassombro ofensivo que, certamente, o teria levado a mais dois ou três? O Vasco começara o jogo de modo arrasador. Preferiu retrair-se, todo pra usar o contra-ataque. Como, porém, o contra-ataque implica alto risco, nem sempre é boa opção tática.
Um vascaíno desvairado, com certeza, vai me escrever, explicando que a atitude da equipe foi deliberada. Afinal, era preciso mostrar à pátria dos goleiros que, há algum tempo, o Brasil deixou de ser a pátria dos frangueiros...
Foi bonito o que fez o Helton, mas é bom lembrar que angústia também mata torcedor.

O coração nas pernas

mockup