Na Grande Área - Armando Nogueira
Flamengo e Corinthians são duas almas penadas do futebol brasileiro. Queridíssimos, popularíssimos, ninguém poderia imaginá-los fora do páreo tão cedo. Curioso é que nada os assemelha, a não ser a eliminação. Na verdade, o Corinthians promoveu um dos mais chocantes desmontes de equipe da temporada. Num piscar de olhos, perdeu Rincon, Edilson, Vampeta, Dida, desfigurando a equipe, inteiramente. Esfrangalhou-se mais ainda quando despediu o treinador Oswaldo de Oliveira que acabara de ser reconhecido como uma boa revelação à borda do campo.
Já o Flamengo, pelo contrário, pecaria por excesso. Resolveu reforçar a equipe no meio da competição e, mais temerário, ainda, contratou uma penca de astros sem parar pra pensar nas conveniências técnicas e táticas da reformulação. Qualquer um do ramo jamais pensaria em juntar no mesmo time, Petkovic e Alex, de estilos tão parecidos. Zagallo foi o primeiro a condenar a redundância. Sem falar na extravagância de contratar Denilson, depois de dois anos de frustrações no Bétis de Sevilha. Denilson, a quem vi despontar, no São Paulo, como um ponta-esquerda endiabrado, está virando um fantasma. Hoje, ele é visto como um jovem opulento, de quem, infelizmente, pode-se dizer que vive como um nababo, dentro e fora do campo.
O breve registro acima é apenas um gancho pra poder dizer que a reta final da Copa João Havelange será, certamente, menos festiva; senão dentro do campo, certamente, na arquibancada, na poltrona da tevê. Afinal, sem essas duas colossais torcidas, de dimensão nacional, o futebol brasileiro me passa um certo ar de quarta-feira de cinzas...
Melancolia alvinegra





